Quem tenta baixar completamente o vidro traseiro do carro e percebe que este para antes de desaparecer dentro da porta pode pensar que existe algum problema no mecanismo. Na maioria dos casos, porém, não há qualquer avaria: o vidro foi simplesmente concebido para terminar o curso naquele ponto.
Segundo explica a Razão Automóvel, site especializado em assuntos auto, a principal razão está no espaço disponível dentro das portas traseiras. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, esta limitação não existe, regra geral, para impedir que crianças ou animais se debrucem para fora do veículo. O verdadeiro obstáculo encontra-se mais abaixo, junto à roda traseira.
A roda traseira condiciona o tamanho da porta
Sempre que um vidro é baixado, desliza para o interior da porta e fica alojado num espaço próprio. Nas portas dianteiras, esta operação é relativamente simples, uma vez que o seu formato tende a ser mais alto e retangular, deixando área suficiente para receber praticamente todo o vidro.
Atrás, a construção é diferente. A parte inferior da porta tem de acompanhar a cava da roda traseira, que ocupa uma parcela significativa da carroçaria. Como a roda invade o espaço onde o vidro teria de ficar guardado, chega um momento em que a janela já não consegue continuar a descer. É por isso que, em muitos modelos, permanece uma faixa de vidro visível mesmo com o comando totalmente acionado.
E há muito mais escondido dentro da porta
O problema não se resume à roda. O interior de uma porta moderna está longe de ser um espaço vazio. É necessário acomodar o mecanismo do elevador do vidro, o respetivo motor nos sistemas elétricos, cablagens, colunas de som e vários reforços estruturais.
Todos estes componentes disputam o mesmo espaço. Mesmo quando a forma exterior da porta parece permitir que o vidro desça um pouco mais, pode simplesmente não existir volume livre suficiente no seu interior para que este fique completamente escondido.
Alterar essa situação seria possível, mas obrigaria os fabricantes a redesenhar a porta, reduzir as dimensões do vidro ou deslocar outros componentes para zonas diferentes do veículo.
Afinal, não é uma medida para proteger as crianças
Uma das explicações mais repetidas para os vidros traseiros não abrirem totalmente está relacionada com a segurança dos ocupantes mais novos. A ideia é que os fabricantes deixariam propositadamente uma parte do vidro levantada para impedir que uma criança colocasse a cabeça ou o corpo demasiado para fora.
A Razão Automóvel explica, contudo, que essa não é normalmente a razão técnica para a limitação. A proteção das crianças é assegurada através de outros mecanismos, como os fechos de segurança das portas traseiras e o bloqueio dos comandos dos vidros.
O facto de o vidro parar antes do fim resulta sobretudo das limitações físicas impostas pelo desenho da porta e pela posição da roda.
Há carros em que o vidro desaparece completamente
Nem todos os automóveis têm este comportamento. Há modelos em que os vidros traseiros conseguem descer na totalidade, normalmente porque as portas são maiores ou porque a roda traseira se encontra posicionada de forma a deixar mais espaço livre.
Outra solução utilizada pelos fabricantes passa por dividir a área envidraçada. Em algumas portas existe uma pequena janela fixa na zona posterior e um vidro móvel de menores dimensões. Como este último é mais pequeno, consegue recolher totalmente para dentro da porta.
Também existem sistemas que fazem o vidro seguir uma trajetória ligeiramente inclinada durante a descida, permitindo contornar determinados obstáculos no interior. São, contudo, mecanismos mais complexos, que podem acrescentar peso, custo e componentes ao sistema.
Quando é que pode ser mesmo uma avaria?
O facto de o vidro não desaparecer totalmente não é, por si só, sinal de problema. Se parar sempre exatamente no mesmo ponto e os restantes vidros traseiros de um modelo idêntico tiverem o mesmo comportamento, é muito provável que seja simplesmente uma característica de construção.
Já um vidro que subitamente passa a parar mais acima, desce de forma irregular, produz ruídos, inclina ou deixa de responder ao comando pode indicar uma anomalia no mecanismo e justificar uma verificação.
Na maioria dos automóveis em que a janela traseira nunca desceu completamente, porém, não há nada para reparar. A explicação está escondida dentro da própria porta: a roda, o formato da carroçaria e os vários componentes internos não deixam espaço suficiente para guardar todo o vidro.
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