Os cortes de água no concelho de Almada continuam a afetar milhares de munícipes e comerciantes, numa altura em que o país enfrenta temperaturas elevadas. A situação tem sido particularmente sentida na Costa da Caparica, onde há relatos de falhas prolongadas no abastecimento e pedidos de ajuda por parte da população.
Segundo o Correio da Manhã, os cortes têm ocorrido sem aviso prévio em várias freguesias do concelho, deixando moradores e negócios sem saber quando a água voltará a correr nas torneiras. O setor da restauração estará entre os mais afetados, devido ao impacto direto que a falta de água tem no funcionamento diário.
“Já não sabemos o que fazer mais”
Ao CM, uma leitora apelou por ajuda, afirmando estar sem água desde as 16h00 do dia anterior. “Por favor ajudem-nos, já não sabemos o que fazer mais!”, disse, num relato que reflete o desespero de muitos residentes perante uma situação que se repete em plena onda de calor.
O jornal questionou a Câmara Municipal de Almada sobre a normalização do abastecimento e sobre a ausência de informação prévia aos munícipes, mas não obteve resposta direta. A autarquia terá encaminhado o pedido para uma página dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada, onde são reconhecidas dificuldades no abastecimento.
SMAS falam em consumo acima da capacidade
Numa comunicação divulgada pelos SMAS, os serviços admitem que Almada vive “um período de grande exigência no sistema de abastecimento de água”, apontando como causas as temperaturas elevadas e o aumento significativo da população sazonal.
Segundo os SMAS, a procura global tem sido superior à água captada diariamente nos furos existentes. Para tentar garantir o abastecimento ao maior número possível de pessoas, os serviços dizem estar a implementar uma “gestão solidária e rotativa da rede”.
Cortes repetem-se em plena onda de calor
Apesar das explicações, continuam a chegar relatos de moradores sem água, com falhas que se repetem de um dia para o outro. A situação torna-se ainda mais delicada devido ao calor extremo, que aumenta as necessidades de consumo e agrava o desconforto de quem fica sem abastecimento.
A ausência de previsões claras sobre horários e duração dos cortes é uma das principais queixas dos munícipes. Sem essa informação, muitas famílias e comerciantes dizem ter dificuldade em organizar tarefas básicas, como cozinhar, tomar banho, lavar loiça ou manter negócios abertos.
Novos furos estão previstos
No comunicado, os SMAS indicam que já está em pleno funcionamento um novo furo de captação. Está ainda prevista a entrada em funcionamento de um segundo furo no final de julho, numa tentativa de reforçar a capacidade de abastecimento do concelho.
Além disso, há mais três furos em fase de licenciamento e outros três em fase de projeto. Os serviços referem também que está previsto aumentar a capacidade de reserva e continuar a reabilitação da rede de abastecimento.
Medidas de contenção já foram aplicadas
Para reduzir o consumo, os SMAS dizem ter diminuído ao mínimo a rega de espaços públicos e suspendido lavagens de ruas consideradas não essenciais. Estas medidas procuram aliviar a pressão sobre a rede, numa fase em que a procura está acima da capacidade diária de captação.
Ainda assim, os cortes continuam a afetar a população e a gerar críticas, sobretudo por se repetirem depois de problemas semelhantes registados no verão de 2025. Fica por esclarecer que medidas foram tomadas no último ano para evitar que a situação voltasse a atingir esta dimensão.
População pede respostas
A falta de água em Almada surge num período de forte pressão sobre os serviços públicos, com mais pessoas no concelho devido à época balnear e ao aumento da procura na Costa da Caparica. Para os comerciantes, a situação pode representar perdas económicas relevantes, sobretudo na restauração.
Sem uma data clara para a normalização do abastecimento, os moradores continuam a exigir respostas sobre os cortes, a duração prevista e as soluções em curso. Para já, os SMAS admitem dificuldades e defendem uma gestão rotativa da rede, mas a população quer saber quando a água voltará a chegar de forma regular às torneiras.
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