Mais de uma centena de idosos em Portugal estão a ser acompanhados por cães num projeto que procura responder a um problema crescente: a solidão e o luto na população envelhecida. A iniciativa está a decorrer em Penacova e junta equipas técnicas e animais treinados para criar momentos de proximidade junto de pessoas institucionalizadas ou em situação de isolamento.
De acordo com a agência de notícias Lusa, o programa chama-se “Estou CãoTigo” e nasceu de uma parceria entre a Câmara Municipal de Penacova e a Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, entidade sediada em Mortágua e conhecida pelo trabalho desenvolvido na formação de cães-guia.
Resposta fora do modelo habitual
O projeto assenta em visitas quinzenais, realizadas em lares e também em casas particulares, dirigidas a idosos previamente sinalizados pelos serviços sociais. A lógica é simples: usar a interação com os animais como ferramenta terapêutica.
A presença dos cães pretende estimular não apenas o lado emocional, mas também capacidades motoras e cognitivas. Segundo a mesma fonte, cada intervenção é desenhada com base numa avaliação individual, ajustada às necessidades de cada pessoa.
Nem todos foram cães-guia
Os animais envolvidos são Labradores Retriever que passaram pela formação inicial para cães-guia, mas que não chegaram a concluir esse percurso por razões físicas ou comportamentais. Em vez de ficarem sem função, foram integrados neste novo modelo de apoio. A reconversão permite que esses cães mantenham um papel ativo, agora focado no contacto humano e na criação de vínculos afetivos. A publicação explica que este perfil facilita a adaptação ao contexto terapêutico.
No terreno, a equipa inclui treinadores especializados e uma técnica de Gerontologia Social. O trabalho não se limita à visita ou ao momento de interação. Existe acompanhamento e monitorização da evolução de cada beneficiário. Ao todo, o programa abrange 110 pessoas no concelho de Penacova. Dessas, 10 recebem visitas em casa, numa articulação entre a estrutura técnica e os serviços municipais de ação social.
Combate ao isolamento como prioridade
Para o vereador da Educação, Habitação e Ação Social de Penacova, Carlos Sousa, este tipo de resposta ganha importância num contexto de envelhecimento populacional. “Este projeto visa proporcionar um envelhecimento ativo e saudável e, neste caso, aqui também o combate ao isolamento”, afirmou, citado pela Lusa. O autarca sublinhou ainda que o investimento em respostas de proximidade faz parte de uma estratégia mais ampla de intervenção social no concelho.
As metas já estão definidas. Refere a mesma fonte que o objetivo passa por reduzir de forma significativa a perceção de solidão em pelo menos metade dos beneficiários, ao mesmo tempo que se pretende melhorar indicadores emocionais e motores. O modelo inclui reforço positivo e avaliação contínua, procurando medir o impacto da relação entre os idosos e os animais ao longo do tempo.
Projeto tem horizonte até 2028
O financiamento está assegurado até junho de 2028 através do programa Centro 2030 e Portugal Inovação Social. Acrescenta a agência de notícias que o Município de Mortágua e a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Bairrada Aguieira também participam no cofinanciamento. A estabilidade financeira permite ao projeto trabalhar numa lógica de médio prazo, algo considerado essencial para consolidar resultados e avaliar o seu impacto.
A Câmara de Penacova já admite dar continuidade à iniciativa depois do fim do protocolo inicial. Carlos Sousa confirmou essa intenção ao afirmar: “A nossa intenção é dar continuidade e garantir a renovação do protocolo após concluídos os primeiros três anos”.
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