Portugal entrou em julho sob uma nova onda de calor, a quinta registada desde o início do ano, e as temperaturas elevadas estão a obrigar várias instituições a adaptar rotinas para proteger os grupos mais vulneráveis. Nos lares, onde a população idosa enfrenta maiores riscos associados ao calor extremo, as medidas de prevenção intensificaram-se nos últimos dias.
De acordo com a SIC Notícias, uma das respostas mais imediatas tem passado pelo reforço da hidratação, alterações na alimentação e redução da exposição ao exterior durante as horas mais quentes do dia, numa tentativa de minimizar os efeitos das temperaturas que poderão ultrapassar os 40 graus.
Prioridade está na hidratação
Na Santa Casa da Misericórdia de Portalegre, a gestão diária foi ajustada para responder ao agravamento das condições meteorológicas. A provedora da instituição, Luísa Moreira, explicou que uma das medidas mais regulares passa pela preparação de gelatinas em intervalos curtos para incentivar o consumo de líquidos.
“Fazemos gelatinas de duas em duas horas, distribuímos água e incentivamos o seu consumo”, afirmou, acrescentando que nem sempre é fácil manter níveis de hidratação adequados entre os residentes, sobretudo em pessoas mais idosas ou com menor autonomia.
Atividades ao ar livre ficam suspensas
O calor obrigou também a alterar a utilização dos espaços exteriores. A instituição, que habitualmente recorre ao Jardim da Avenida da Liberdade para atividades com os residentes, decidiu transferir essas rotinas para o interior do edifício.
Segundo a mesma fonte, a decisão pretende evitar a exposição aos períodos de maior intensidade térmica, sobretudo nas horas centrais do dia, quando o risco de desidratação ou mal-estar aumenta. Luísa Moreira resume essa adaptação de forma direta: “Nesta altura, essas atividades passam a ser realizadas no interior para evitar os picos de calor”.
Mudanças chegam também à mesa
A alimentação foi outro dos pontos ajustados. Explica a publicação que as refeições passaram a privilegiar alimentos frescos, leves e com maior teor de água, numa estratégia pensada para facilitar a digestão e reforçar a hidratação.
A fruta ganhou maior presença nas ementas, assim como as saladas. A melancia passou a ser um dos alimentos diários disponibilizados aos residentes, precisamente pela facilidade de consumo e pelo contributo para a ingestão de líquidos. “Reforçámos a fruta e as saladas. Tentamos evitar alimentos mais calóricos e mais quentes”, explicou a provedora.
Calor sente-se para lá dos lares
No exterior, os efeitos da nova vaga de calor fazem-se sentir de forma transversal. No Mercado Municipal de Portalegre, escreve a mesma fonte, clientes e comerciantes têm procurado adaptar horários e ritmos às temperaturas elevadas.
A situação não se limita ao Alentejo. O país encontra-se sob alerta meteorológico e grande parte do território enfrenta risco máximo de incêndio, numa altura em que a duração desta onda de calor está a ser apontada como um dos principais fatores de preocupação.
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