O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é uma peça essencial da emergência médica em Portugal, mas nem sempre é claro quando se deve ligar para pedir ajuda ou uma ambulância, que informação deve ser dada e se há custos associados. Conhecer estas regras ajuda a proteger quem precisa de socorro imediato e evita ocupar meios que podem estar a fazer falta noutra situação grave.
A missão do INEM passa por garantir cuidados de emergência no local, transporte assistido para o hospital adequado através de ambulância e articulação entre os vários intervenientes do socorro.
O acesso ao mesmo faz-se através do 112, o Número Europeu de Emergência. Este número funciona 24 horas por dia, todos os dias, e a chamada é gratuita, segundo o portal gov.pt e o próprio INEM.
Quando alguém liga 112, a chamada é inicialmente atendida pelas centrais de emergência da PSP ou da GNR. Se a situação estiver relacionada com saúde, é encaminhada para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes, conhecidos como CODU, que pertencem ao INEM.
Nos CODU, profissionais qualificados fazem a triagem, avaliam a gravidade do caso, dão instruções por telefone e decidem se é necessário enviar meios de socorro. Esses meios podem incluir ambulâncias, motas, viaturas médicas e helicópteros, escolhidos conforme a situação clínica, a proximidade e a acessibilidade ao local.
Por isso, chamar o 112 não significa automaticamente que será enviada uma ambulância. O operador pode aconselhar a melhor forma de agir, indicar outro encaminhamento ou acionar socorro imediato quando há risco para a vida.
Em que situações deve chamar o INEM?
O 112 deve ser usado em situações urgentes ou emergentes, como acidente com feridos, suspeita de AVC, dor no peito, engasgamento, dificuldade em respirar, alteração do estado de consciência, queimaduras graves ou hemorragias abundantes e incontroláveis. Estes exemplos são indicados pelo SNS 24 na explicação sobre quando se deve ligar para o INEM ou para a linha SNS 24.
Também deve ligar 112 perante uma doença súbita grave, uma queda com suspeita de lesão importante, uma perda de consciência, convulsões prolongadas ou qualquer situação em que a pessoa pareça em perigo imediato. Nestes casos, não se deve perder tempo a tentar deslocar a vítima por meios próprios, sobretudo se houver risco de agravamento.
Já situações como dor ligeira ou moderada, febre sem sinais de alarme, tosse persistente, diarreia, náuseas, comichão ou dúvidas clínicas sem emergência devem ser encaminhadas para o SNS 24, através do 808 24 24 24, que assegura triagem, aconselhamento e encaminhamento em situações de doença.
Que informação deve dar durante a chamada?
Ao ligar 112, deve falar de forma simples e clara. O INEM recomenda indicar o tipo de situação, o número de telefone de onde está a ligar, a localização exata, pontos de referência, o número de pessoas envolvidas, a idade aproximada, o sexo, as principais queixas e eventuais perigos no local, como fogo, gás, trânsito ou risco de agressão.
É importante não desligar até o operador dar essa indicação. Muitas vezes, as primeiras instruções dadas por telefone podem fazer diferença antes da chegada da equipa, sobretudo em casos de paragem cardiorrespiratória, engasgamento, hemorragia ou perda de consciência.
Também deve evitar chamadas desnecessárias. O próprio instituto lembra que as ambulâncias devem ser usadas apenas em situações de risco de vida iminente, porque chamadas falsas ou sem urgência podem atrasar o socorro a quem realmente precisa de ajuda imediata.
Há custos para chamar uma ambulância do INEM?
A chamada para o 112 é gratuita e pode ser feita de qualquer ponto do país, a qualquer hora, de acordo com o portal gov.pt. Este é o custo mais importante para o cidadão no momento da emergência: não se paga para contactar o número de socorro.
Quanto ao transporte, é preciso distinguir as situações. O transporte urgente ou emergente é assegurado pelo INEM, enquanto o transporte não urgente, por exemplo para consultas, tratamentos ou altas, tem regras próprias definidas pelo SNS. A ACSS explica que o transporte não urgente depende de condições legais e pode ser suportado pelo SNS em certos casos.
Em termos práticos, se a deslocação em ambulância para um serviço de saúde for confirmada como situação de urgência, os custos podem ser suportados pelo SNS. Já nos transportes não urgentes, o apoio depende de prescrição, justificação clínica e, em algumas situações, de insuficiência económica ou condição incapacitante.
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