Um colégio privado em Cascais está no centro de uma polémica relacionada com diferenças nas refeições servidas aos alunos, consoante paguem ou não mensalidade. De acordo com o portal NiT, a situação ocorre no Colégio dos Salesianos e envolve estudantes abrangidos por financiamento público e outros em regime privado.
A distinção tem sido descrita pelos próprios alunos com expressões que refletem essa divisão. Segundo a mesma fonte, dentro da escola fala-se em “comida dos ricos” e “comida dos pobres”, numa referência direta às diferenças percebidas na qualidade e variedade das refeições.
Relatos de pais e alunos
A perceção de desigualdade tem sido reforçada por testemunhos de famílias. Refere a mesma fonte que Rute Vieira, mãe de um aluno do 9.º ano, relata que o filho questiona frequentemente a diferença entre os pratos disponíveis.
“O meu filho diz que a comida é má, está sempre cheia de molhos, e pergunta-me porque é que não pode comer a comida dos ricos”, afirmou, citada pela publicação, acrescentando que alguns estudantes optam por evitar a cantina.
Os relatos apontam para discrepâncias claras entre os dois regimes. Segundo a mesma fonte, os alunos que pagam mensalidade têm acesso a refeições consideradas mais equilibradas e com maior diversidade. Já os estudantes abrangidos pelo apoio estatal recebem opções mais limitadas. Conforme a mesma fonte, a repetição de menus e a menor variedade são aspetos frequentemente referidos pelos alunos.
Explicação apresentada pela escola
A justificação para esta diferença foi avançada por um funcionário da instituição. A mesma fonte cita declarações enviadas à agência Lusa, onde se fica a saber que a distinção está relacionada com regras impostas ao financiamento público. “É mesmo assim porque o Estado não nos permite vender as refeições do privado ao regime público”, afirmou o responsável, explicando a separação entre os dois tipos de refeições.
O valor atribuído por refeição é apontado como um fator determinante. Acrescenta a publicação que o Estado paga cerca de 1,46 euros por cada refeição dos alunos subsidiados. Segundo a mesma fonte, esse montante é considerado insuficiente para assegurar refeições equivalentes às disponibilizadas no regime privado, o que contribui para a diferença observada.
Queixas formais e episódios reportados
A situação levou à apresentação de uma carta por parte dos encarregados de educação. Refere a mesma fonte que o documento foi enviado à agência Lusa, dando conta do desconforto gerado entre alunos e famílias.
“Durante um período, a qualidade foi considerada muito fraca”, lê-se no texto citado, onde também se referem episódios em que alunos terão encontrado insetos na comida, situações que “geraram grande indignação entre alunos e famílias”.
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