O processo judicial que envolve um ex-gerente de uma agência da Caixa Geral de Depósitos na Trofa expõe suspeitas graves sobre o acesso e utilização indevida de informação bancária confidencial. Em causa está um esquema de empréstimos fora do circuito formal, agora encaminhado para julgamento, que terá afetado centenas de vítimas em situação de fragilidade económica.
De acordo com o Jornal de Notícias, o arguido principal exerceu funções bancárias até 2022 e é suspeito de ter fornecido dados sensíveis sobre contas bancárias de clientes, informação que terá sido usada para sustentar operações financeiras com juros muito elevados.
Investigação conduzida no norte do país
O caso foi investigado pela Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, que desmantelou o grupo após vários meses de recolha de prova. Segundo a mesma fonte, a investigação permitiu identificar um núcleo familiar envolvido no esquema, composto por um engenheiro reformado, a sua companheira e um filho desta.
O juiz de instrução criminal de Matosinhos decidiu levar a julgamento todos os arguidos, com exceção de uma advogada de Santo Tirso, cuja acusação não foi confirmada, escreve o mesmo jornal.
Empréstimos anunciados em jornais regionais
O modelo usado pelo grupo assentava na publicação de anúncios em jornais regionais, dirigidos a pessoas em situação de necessidade financeira imediata. Conforme a mesma fonte, os empréstimos concedidos tinham taxas de juro que podiam atingir os 350%.
Segundo a acusação do Ministério Público, os arguidos aproveitavam-se da vulnerabilidade económica das vítimas, criando uma relação de dependência difícil de quebrar.
Centenas de crimes sob análise judicial
Os arguidos seguem agora para julgamento no Palácio da Justiça de Vila do Conde, estando fortemente indiciados da prática de cerca de 400 crimes, refere a mesma fonte. A dimensão do processo reflete o número elevado de operações realizadas ao longo do tempo.
O alegado líder do grupo ter-se-á apropriado indevidamente de 541.000 euros. Deste valor, a PJ do Norte conseguiu apreender 83.000 euros durante a investigação.
Papel decisivo da informação bancária
Um dos pontos centrais do processo é o acesso a informação bancária confidencial. O ex-gerente da Caixa é suspeito de ter facultado dados sobre contas das pessoas que recorriam aos empréstimos, explica a publicação.
Durante a investigação, o antigo funcionário bancário esteve sob escuta telefónica, elemento que reforçou os indícios recolhidos pelas autoridades, conforme a mesma fonte.
Consequências profissionais e institucionais
Na sequência do inquérito, o ex-gerente foi despedido da Caixa Geral de Depósitos por justa causa, sem direito a indemnização. A instituição não é arguida no processo, mas surge como parte afetada em termos de confiança e cumprimento de deveres profissionais.
O julgamento permitirá agora apurar responsabilidades individuais e avaliar o impacto da violação de deveres bancários num esquema financeiro prolongado, num caso que, segundo o Jornal de Notícias, levanta questões relevantes sobre controlo interno e proteção de dados no sector financeiro.
















