Portugal vai participar no piloto europeu do euro digital, a futura moeda digital que está a ser preparada pelo Banco Central Europeu. O teste deverá arrancar no segundo semestre de 2027, terá a duração prevista de 12 meses e contará com a participação do Banco de Portugal e de três instituições financeiras nacionais.
De acordo com o Banco Central Europeu, foram selecionados 36 prestadores de serviços de pagamento para integrar esta fase de testes, em articulação com os bancos centrais nacionais do Eurosistema. Em Portugal, os participantes escolhidos são o Banco Comercial Português, a Caixa Geral de Depósitos e a UNICRE, que irão testar diferentes vertentes da solução antes de qualquer decisão final sobre a eventual emissão do euro digital.
BCP, CGD e UNICRE entram no piloto
O Banco de Portugal será um dos 19 bancos centrais nacionais envolvidos no piloto. Do lado português, o BCP e a Caixa Geral de Depósitos vão participar como prestadores de serviços de pagamento distribuidores e adquirentes. Na prática, isto significa que poderão testar tanto o acesso dos utilizadores a serviços de euro digital como a aceitação de pagamentos por parte de comerciantes.
A UNICRE terá uma participação mais limitada, atuando apenas como prestador de serviços de pagamento adquirente. Este papel está ligado sobretudo ao lado dos comerciantes, permitindo testar a receção de pagamentos feitos com a versão beta do euro digital.
Segundo informação divulgada pelo setor, os acordos de participação entre o Banco de Portugal e as três instituições foram assinados a 7 de julho de 2026, em Lisboa, na sede do banco central português.
Testes vão usar uma versão beta
O piloto será feito com uma versão beta do euro digital, tecnicamente semelhante à solução prevista na proposta legislativa em discussão a nível europeu. Ainda assim, esta versão de teste não terá estatuto de moeda de curso legal, pelo que servirá apenas para avaliar o funcionamento do sistema em ambiente controlado.
Os testes deverão envolver colaboradores do BCE e dos 19 bancos centrais participantes, bem como comerciantes de comércio eletrónico e negócios do quotidiano instalados nas próprias sedes dos bancos centrais, como cafetarias ou cantinas. O objetivo é perceber como a solução funciona em situações próximas do uso real.
Entre os cenários previstos estão pagamentos entre particulares, tanto online como offline, e pagamentos de particulares a empresas, em lojas físicas e em compras pela internet. Esta fase será importante para avaliar a prontidão técnica, funcional e operacional do euro digital antes de qualquer decisão definitiva.
Projeto atraiu mais de 50 candidaturas
O interesse do mercado no piloto foi elevado. Na sequência de um pedido de manifestação de interesse lançado em 2026, o Eurosistema recebeu mais de 50 candidaturas de prestadores de serviços de pagamento europeus.
A seleção final teve em conta critérios como o modelo de negócio, a dimensão das instituições e a cobertura geográfica, de forma a garantir um ambiente de teste diversificado e representativo. O objetivo é que o piloto permita avaliar o euro digital em diferentes contextos de utilização, com participantes de vários países da zona euro.
O euro digital ainda não tem uma data definitiva de lançamento. Para já, o projeto continua em fase de preparação e teste, dependendo também da evolução do processo legislativo europeu. O piloto que arranca em 2027 será, por isso, mais um passo no caminho para perceber se a zona euro avançará, ou não, para uma moeda digital emitida pelo banco central.
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