A Diocese de Aveiro emitiu um alerta dirigido aos fiéis portugueses sobre a realização de missas e a organização de retiros espirituais promovidos por um homem que não é sacerdote da Igreja Católica. O comunicado esclarece que as iniciativas em causa não têm enquadramento canónico e não correspondem a celebrações válidas no seio da Igreja.
A informação surge numa altura em que vários encontros religiosos têm sido divulgados nas redes sociais, alguns deles com referência a Fátima, levando a diocese a considerar necessário um esclarecimento público para evitar confusão entre os fiéis.
Retiros mensais e um grupo ativo nas redes sociais
De acordo com a SIC Notícias, os retiros são promovidos mensalmente e divulgados através do Facebook, onde existe um grupo com cerca de 1.900 pessoas dedicado a estes encontros. A próxima iniciativa está anunciada para o penúltimo fim de semana do mês.
Segundo a mesma fonte, estes retiros decorrem em Fátima e são apresentados como momentos de oração e reflexão espiritual, apesar de não terem qualquer ligação formal às estruturas oficiais da Igreja Católica.
Um alegado bispo também fora da Igreja
Um dos participantes habituais nestes retiros é Salvatore Micalef, um homem que se apresenta como bispo e que acompanha Francisco Marques em várias iniciativas religiosas.
Conforme a mesma fonte, tanto a Diocese de Leiria-Fátima como a Diocese de Roma já se demarcaram publicamente desta figura, esclarecendo que não reconhecem qualquer autoridade eclesiástica a Salvatore Micalef.
O esclarecimento vindo de Roma
Citada pela Diocese de Aveiro, a Diocese de Roma explica que Salvatore Micalef, que se autoproclama patriarca e bispo da chamada Prelatura de São Pedro e São Paulo, não está em comunhão com a Igreja Católica.
Acrescenta a publicação que este homem não possui faculdades ministeriais, estando impedido de celebrar ou participar em sacramentos católicos, posição que reforça a ausência de legitimidade das celebrações associadas aos retiros.
Missas celebradas numa casa particular
Importa ainda destacar que o alerta da Diocese de Aveiro surgiu após informações de que Francisco Marques estaria a celebrar missas a partir de uma casa particular em Oiã, no concelho de Oliveira do Bairro, sua terra natal.
Segundo o comunicado assinado pelo bispo D. António Moiteiro Ramos, estas celebrações não são válidas, uma vez que Francisco Marques não é padre da Igreja Católica e, por isso, não pode administrar sacramentos.
Proximidade mediática não equivale a ordenação
A diocese recorda ainda que Francisco Marques ganhou notoriedade pública no ano passado devido à divulgação de fotografias nas redes sociais ao lado do papa Francisco, o que contribuiu para a perceção de proximidade à hierarquia católica. No entanto, o jovem nunca foi ordenado sacerdote e não está em comunhão com a Igreja Católica, apesar da imagem pública construída em torno dessas aparições.
De acordo com a SIC Notícias, o comunicado da Diocese de Aveiro tem um caráter preventivo e procura proteger os fiéis de práticas religiosas que não respeitam o enquadramento canónico da Igreja. A diocese sublinha que apenas ministros devidamente ordenados e em comunhão com a Igreja podem celebrar sacramentos, apelando ao discernimento e à atenção dos fiéis perante iniciativas religiosas divulgadas fora dos canais oficiais.
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