A atuação de um padre português numa discoteca em Beirute, no Líbano, desencadeou uma controvérsia que ultrapassou a música. Em causa está o espetáculo protagonizado pelo Padre Guilherme, conhecido DJ católico, que motivou uma queixa formal apresentada por um grupo de cristãos libaneses, inconformados com o contexto e os símbolos associados à atuação.
O episódio ocorreu no sábado, 10 de janeiro, perante uma sala cheia, e levantou um debate mais amplo sobre liberdade religiosa, expressão artística e os limites da atuação pública de membros do clero em sociedades marcadas por tensões culturais e religiosas.
Uma atuação que não passou despercebida
De acordo com o Notícias ao Minuto, o Padre Guilherme atuou numa discoteca lotada da capital libanesa, perante cerca de 2.000 pessoas, num ambiente dominado pela música eletrónica. A presença do sacerdote português num espaço associado à vida noturna foi suficiente para gerar reações negativas antes mesmo do espetáculo começar.
Segundo a mesma fonte, houve tentativas para cancelar o evento, impulsionadas por um grupo descrito como pequeno, mas influente, composto por cristãos do Líbano, incluindo membros da Igreja Católica, que consideraram a atuação ofensiva.
Queixa e os argumentos apresentados
A queixa formal alegava que o padre distorcia símbolos e imagens do cristianismo, ultrapassando limites morais tradicionalmente associados à Igreja Católica. A contestação não se limitou às redes sociais e chegou às instâncias judiciais.
Refere a mesma fonte que, apesar da pressão exercida, um juiz acabou por rejeitar a queixa, decisão que permitiu a realização do espetáculo conforme planeado.
Declarações e resposta do sacerdote
Em declarações citadas pela publicação, o Padre Guilherme reagiu às críticas sublinhando a importância da liberdade individual. “Se alguém não se sente confortável com o que estou a fazer, que reze por mim. Não posso fazer mais nada a este respeito. Vivemos num mundo livre e ele precisa de ser livre”, afirmou.
Acrescenta a publicação que o sacerdote reconheceu a diversidade de opiniões, mas defendeu que o respeito deve prevalecer, mesmo quando não existe concordância com o seu trabalho artístico.
Contexto cultural e simbologia em palco
De salientar que Beirute é frequentemente descrita como uma cidade com forte cultura de música eletrónica e uma das mais liberais da região em termos culturais. Ainda assim, líderes religiosos e políticos têm historicamente conseguido censurar obras consideradas ofensivas.
Durante a atuação, o Padre Guilherme usou uma camisola com pães e peixes estampados, numa referência a um episódio bíblico, e foram projetadas imagens simbólicas, incluindo uma pomba, elemento que alguns espectadores não interpretaram de forma positiva.
Apoios, percurso e reação do público
Conforme o Notícias ao Minuto, o padre português tem uma carreira de mais de 10 anos como DJ, iniciada com o objetivo de angariar fundos para saldar dívidas da sua paróquia. Desde então, tem atuado em vários países e recebido apoio de figuras de destaque da Igreja Católica.
A publicação recorda que o Papa Francisco chegou a abençoar os fones do sacerdote e que, mais recentemente, o Padre Guilherme incluiu uma mensagem do Papa Leão XIV num espetáculo na Eslováquia. Entre o público em Beirute, houve também vozes de apoio, com alguns espectadores a defenderem a atuação como uma mensagem de abertura num país marcado por tensões e conflitos.
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