O desaparecimento de vários canais musicais da MTV das grelhas televisivas no final de 2025 levou muitos espectadores a questionarem se a marca tinha chegado ao fim. Em Portugal e noutros mercados, o sinal deixou de estar disponível a partir de 31 de dezembro, afetando sobretudo canais temáticos associados à música que marcaram diferentes gerações.
A saída destes canais coincidiu com o encerramento de emissões noutros países e com uma reconfiguração profunda da presença da MTV na televisão por subscrição. A mudança alimentou rumores nas redes sociais, mas não correspondeu ao desaparecimento total da estação enquanto marca mediática.
Um desligar que foi além das fronteiras nacionais
De acordo com o Jornal de Notícias, no último dia de 2025 deixaram de emitir no Reino Unido, Irlanda e Austrália vários canais como MTV Music, MTV 80s, MTV 90s, Club MTV e MTV Live, numa operação integrada numa estratégia de redução de custos avaliada em cerca de 500 milhões de dólares.
Segundo a mesma fonte, em Portugal, o impacto traduziu-se na saída dos canais MTV Music e MTV 00s das grelhas dos operadores de televisão por subscrição, mantendo-se apenas a MTV Portugal como canal principal da marca no mercado nacional.
Escreve o jornal que o encerramento dos canais temáticos não significou o fim da MTV, apesar da perceção gerada por informação imprecisa que circulou online. O canal principal continua ativo em vários países, embora com uma programação centrada em conteúdos de entretenimento. Acrescenta a publicação que os videoclipes, elemento fundador da Music Television, passaram a ter um peso residual na grelha, refletindo uma transformação gradual iniciada há vários anos no posicionamento editorial da estação.
Arquivo criado como resposta ao silêncio
Foi precisamente este afastamento da matriz musical que motivou o surgimento do MTV Rewind, um site lançado pouco depois do desligar do sinal por um grande fã da estação. A plataforma reúne mais de 33.000 videoclipes e propõe uma viagem pela história da MTV desde os anos 70 até à década de 2020.
Explica o site, citado pelo Jornal de Notícias, que a experiência começa com a recriação dos primeiros minutos da emissão inaugural da MTV, a 1 de agosto de 1981, incluindo o áudio de “Video Killed the Radio Star”, dos The Buggles, símbolo do nascimento do canal.
Uma navegação pensada como televisão linear
A navegação do MTV Rewind simula a lógica da programação contínua, não permitindo ao utilizador escolher diretamente o videoclip seguinte, embora seja possível avançar ou recuar na reprodução. Os conteúdos estão organizados em diferentes canais temáticos e cronológicos.
Entre os destaques estão milhares de vídeos do programa “120 Minutes”, conteúdos do “MTV Unplugged” e seleções associadas a espaços, como “Yo! MTV Raps” ou “Headbangers Ball”, além de anúncios publicitários de época e coleções organizadas por décadas.
Um projeto independente com memória cultural
Conforme a mesma fonte, o arquivo inclui artistas que ajudaram a definir a identidade da MTV, como Prince, Madonna, Michael Jackson, Bruce Springsteen, R.E.M., Radiohead ou The White Stripes. O criador identifica-se nas redes sociais como “FlexasaurusRex La Creme” e sublinha que o projeto é independente e não comercial.
“A MTV foi uma instituição cultural que mudou a música, a moda e a cultura jovem”, escreveu o autor, citado pelo mesmo jornal. “Depois deixaram de passar videoclipes e tornaram-se televisão de realidade. Senti uma onda de tristeza quando surgiu o anúncio. Por isso comecei a programar.”
A ironia de um regresso através do digital
Acrescenta a publicação que existe uma ironia evidente neste percurso: a lógica do vídeo a pedido, popularizada por plataformas como o YouTube, contribuiu para o declínio dos canais musicais lineares da MTV, mas é hoje essa mesma tecnologia que sustenta um arquivo dedicado à sua memória. Até ao momento a Paramount Global não comentou publicamente o projeto, mas o MTV Rewind continua a crescer como repositório informal de uma era que marcou a televisão musical.
















