A nova Linha Circular do Metropolitano de Lisboa, que ligará o Rato ao Cais do Sodré, só deverá ser inaugurada no primeiro trimestre de 2027, acumulando um atraso superior a três anos face ao plano inicialmente traçado para esta infraestrutura.
A confirmação foi feita pela administração da empresa, que sublinha que a meta passa por garantir não apenas a conclusão física da obra, mas também a sua entrada em funcionamento pleno. De acordo com a agência de notícias Lusa, a intenção é que a inauguração aconteça já com a linha operacional e integrada na rede.
Um calendário que voltou a mudar
Inicialmente prevista para o segundo semestre de 2025, a abertura desta nova ligação foi sendo sucessivamente adiada, refletindo dificuldades técnicas, administrativas e financeiras que se foram acumulando ao longo do processo.
Segundo a mesma fonte, o atraso global atinge já três anos e três meses, o que representa um desvio significativo face ao cronograma original e levanta dúvidas sobre a execução de grandes projetos de mobilidade urbana.
Tensões e entraves na obra
Parte dos problemas identificados prende-se com a relação entre a empresa pública e os empreiteiros responsáveis pela execução dos vários lotes da obra, num contexto de negociações prolongadas.
Escreve a agência noticiosa que um dos troços, apesar de concluído em setembro de 2024, não tinha ainda sido encerrado do ponto de vista financeiro, situação que gerou “crispações e más vontades” entre as partes envolvidas.
O que vai mudar na rede
A Linha Circular inclui duas novas estações, Estrela e Santos, além da requalificação da estação do Cais do Sodré, criando uma nova configuração no centro da cidade de Lisboa. Acrescenta a mesma fonte que esta expansão permitirá ligar as linhas Amarela e Verde, formando um anel contínuo que deverá facilitar a circulação e reduzir tempos de espera entre correspondências.
O projeto perdeu o financiamento inicialmente previsto através do Plano de Recuperação e Resiliência, obrigando a empresa a procurar soluções alternativas para assegurar a continuidade da obra. Refere a mesma fonte que estão em curso contactos com várias entidades, incluindo o Banco Europeu de Investimento, numa tentativa de garantir os recursos necessários para a conclusão do projeto.
A expansão da Linha Vermelha enfrenta igualmente atrasos relevantes, estimados em cerca de dois anos e nove meses, o que evidencia dificuldades mais abrangentes na modernização da rede. Conforme a mesma fonte, a consignação desta obra ainda não foi formalizada, embora exista a intenção de avançar com o projeto assim que estejam reunidas as condições necessárias.
A administração do Metropolitano de Lisboa reafirma o compromisso de cumprir o novo calendário, destacando o diálogo em curso com os empreiteiros e a necessidade de estabilizar o processo. Segundo a Lusa, a responsável garantiu que a meta está definida e que a linha deverá ser inaugurada no primeiro trimestre de 2027, já com condições para entrar em funcionamento.
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