As filas à porta de lojas de relógios voltaram a tornar-se um fenómeno global depois do lançamento de uma nova colaboração entre a Swatch e a Audemars Piguet. Em Lisboa, centenas de pessoas concentraram-se no Centro Colombo para tentar comprar um modelo que custa cerca de 400 euros, mas que rapidamente começou a surgir nos mercados de revenda por valores muito superiores.
De acordo com o jornal Expresso, a coleção chama-se Royal Pop e nasceu da colaboração entre duas marcas com posicionamentos completamente distintos no mercado relojoeiro. Enquanto a Swatch vende milhões de relógios por ano, a Audemars Piguet mantém uma produção limitada e vive da exclusividade associada aos seus modelos mais procurados.
Um relógio que não é bem um relógio
O Royal Pop recupera elementos do Royal Oak, um dos modelos mais conhecidos da Audemars Piguet, criado por Gérald Genta em 1972. Segundo a mesma fonte, o novo produto mantém detalhes, como o bisel octogonal, os parafusos hexagonais e o padrão característico do mostrador.
Ainda assim, a principal surpresa está no formato escolhido. Em vez de um relógio de pulso tradicional, as marcas optaram por lançar relógios de bolso em biocerâmica colorida, inspirados também nos Swatch Pop lançados nos anos 80.
Detalhe que está a alimentar a procura
O formato pouco convencional acabou por transformar o produto num objeto difícil de categorizar. Conforme o mesmo jornal, o Royal Pop aproxima-se mais de um acessório decorativo ou de uma berloque de luxo do que de um relógio clássico.
Os modelos podem ser usados ao pescoço, presos a malas ou transportados no bolso. Essa combinação entre acessório de moda, objeto colecionável e produto ligado à cultura digital é apontada como uma das razões para a forte procura registada nos últimos dias.
Revenda dispara logo no primeiro dia
A procura não ficou limitada às lojas físicas. Segundo a mesma fonte, poucas horas após o lançamento começaram a aparecer anúncios de revenda online com preços próximos dos dois mil euros, cerca de cinco vezes acima do valor original.
Em Portugal, os modelos custam entre 380 e 400 euros, dependendo da versão escolhida. Ainda assim, as unidades disponíveis esgotaram rapidamente em várias lojas, incluindo em Lisboa.
Filas e intervenção policial em vários países
O lançamento acabou também marcado por momentos de tensão em diferentes cidades. Escreve o jornal que algumas lojas da Swatch no Reino Unido e nos Países Baixos tiveram mesmo de encerrar temporariamente por razões de segurança.
Em França, a polícia utilizou gás lacrimogéneo para dispersar uma multidão junto a uma loja perto de Paris. Já em Nova Iorque registaram-se empurrões e confusão durante a abertura da loja da marca em Times Square.
Estratégia da Swatch já não é nova
Esta não foi a primeira vez que a Swatch gerou um fenómeno semelhante. Segundo a mesma publicação, a marca já tinha conseguido filas idênticas com o MoonSwatch, lançado em parceria com a Omega em 2022.
Mais tarde surgiu também uma colaboração com a Blancpain. A diferença agora é que a Audemars Piguet continua independente, ao contrário das outras marcas envolvidas em projetos anteriores ligados ao Swatch Group.
Luxo tenta chegar a novas gerações
A parceria é vista como uma tentativa de aproximar o universo da relojoaria de luxo de consumidores mais jovens e habituados à cultura das redes sociais. A CEO da Audemars Piguet, Ilaria Resta, admitiu que o objetivo passa também por tornar a marca mais próxima de um público diferente.
Segundo o Expresso, a responsável afirmou que a colaboração pretende convidar “as gerações mais jovens a experienciar a relojoaria mecânica de uma forma diferente”. Noutra declaração, acrescentou que a marca procura aproveitar a escala da Swatch para chegar a mais consumidores.
Teoria que começou nas redes sociais
Nos últimos dias começou também a circular uma teoria relacionada com a origem da colaboração. Conforme a mesma fonte, alguns utilizadores associam o lançamento a derrotas judiciais sofridas pela Audemars Piguet em processos relacionados com o design do Royal Oak. Em 2024, um tribunal japonês recusou reconhecer proteção exclusiva ao design do modelo. Já em 2025, uma entidade norte-americana chegou a uma conclusão semelhante, considerando que alguns elementos do relógio eram demasiado comuns na indústria relojoeira.
Apesar das especulações, não existe confirmação oficial de que esses processos estejam diretamente ligados ao lançamento do Royal Pop. Ainda assim, a teoria espalhou-se rapidamente pelas redes sociais e ajudou a aumentar o interesse em torno da coleção. Entre filas, revenda e vídeos virais no TikTok e Instagram, o Royal Pop acabou por se transformar num dos lançamentos mais comentados do ano, num momento em que o luxo tenta adaptar-se a uma nova lógica de consumo cada vez mais ligada à cultura digital.
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