O atual contexto económico obriga as famílias a procurar alternativas viáveis para financiar os seus projetos pessoais ou a compra de habitação. Cada vez mais portugueses o fazem e aderem a uma técnica cada vez mais comum para conseguir pedir créditos com melhores condições. O cenário de juros elevados no mercado interno motivou uma fuga silenciosa em busca de contratos mais favoráveis.
A resposta a este fenómeno traduz-se na solicitação direta de empréstimos bancários a instituições financeiras sediadas no estrangeiro. A informação estatística sobre este movimento de capitais é avançada pelo jornal Expresso a partir de dados compilados pelo banco central nacional. O volume de financiamento obtido fora das fronteiras portuguesas disparou de forma acentuada desde o ano de 2010.
Os números oficiais indicam que o montante pedido pelos particulares em bancos estrangeiros mais do que sextuplicou na última década. O valor acumulado ascendeu a 4300 milhões de euros nos primeiros meses de 2026 e diz respeito essencialmente a contratos de longa duração. Indica a mesma fonte que os empréstimos de curto prazo representam uma fatia muito marginal deste bolo financeiro.
Os destinos preferidos pelos particulares
A escolha das entidades credoras não acontece de forma aleatória e reflete uma clara preferência por mercados financeiros tradicionalmente fortes e estáveis. A Suíça lidera destacada as preferências nacionais ao assumir 25 por cento da totalidade do financiamento concedido às famílias portuguesas.
O Luxemburgo surge na segunda posição desta tabela internacional com 21 por cento do volume total de dinheiro emprestado. Explica a referida fonte que estes 2 países europeus representam quase metade do capital que os cidadãos residentes em Portugal foram procurar ao exterior.
A lista dos mercados mais procurados pelos consumidores inclui ainda nações como a França e a Irlanda com 8 por cento cada e a vizinha Espanha com 7 por cento. O Banco de Portugal assume não dispor de informação específica sobre as instituições exatas que concedem estas verbas.
As finalidades desconhecidas do dinheiro
O regulador bancário nacional desconhece igualmente a finalidade exata que os clientes dão aos fundos obtidos nas entidades sediadas noutros países. As autoridades financeiras não conseguem apurar se estes milhares de milhões de euros servem para comprar casas ou para simples necessidades de consumo.
O crescimento substancial deste recurso a bancos estrangeiros reflete uma maior autorização de operações internacionais no mercado luso. A entrada de novas entidades da União Europeia autorizadas a conceder capital em Portugal justifica grande parte deste aumento exponencial.
O peso relativo no endividamento nacional
O volume de dinheiro pedido lá fora cresceu muito mas continua a representar uma pequena parcela do endividamento total das famílias. Os contratos firmados com bancos estrangeiros pesam atualmente 2,6 por cento do universo total de empréstimos ativos no país.
O valor global das dívidas contraídas pelas famílias atingiu máximos históricos durante o mês de janeiro do ano de 2026. O montante global ultrapassou a barreira dos 165000 milhões de euros e bateu o recorde anterior fixado no final do ano de 2010.
Os cuidados a ter na contratação
A assinatura destes vínculos com entidades não residentes exige precauções básicas para garantir a total segurança da operação financeira. O cliente deve consultar obrigatoriamente as listas de instituições autorizadas que o regulador disponibiliza no seu portal institucional.
A sujeição a regras de supervisão europeias constitui uma garantia de transparência na realização deste tipo de negócio além fronteiras. Explica ainda o Expresso que este enquadramento legal europeu oferece uma proteção adicional semelhante à aplicada aos bancos nacionais.
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