O ciclista sul-africano Byron Munton (Feirense-Beeceler) venceu este domingo a quarta etapa da Volta a Portugal, que terminou no alto da Senhora da Graça, em Mondim de Basto, com o russo Artem Nych (Anicolor-Tien21) a assumir a liderança da geral.
Byron Munton de 26 anos, venceu isolado na Senhora da Graça, local onde terminou a etapa que começou em Bragança, que chegou a estar neutralizada e foi encurtada devido ao incêndio na Serra do Alvão.
No segundo lugar da etapa chegou o colombiano Jesús Peña (AP Hotels&Resorts-Tavira-Farense), a nove segundos, com o russo Artem Nych, vencedor em 2024, em terceiro, com o mesmo tempo. Nych lidera agora a geral, com oito segundos de vantagem sobre Munton e 12 em relação a Peña.
Na segunda-feira, a quinta etapa vai ligar Lamego a Viseu, ao longo de 155,5 quilómetros, numa tirada com duas contagens de montanha e que pode ser uma das raras oportunidades para os sprinters discutirem a vitória.
Uma neutralização ‘roubou’ protagonismo a Munton na Senhora da Graça
Por Ana Marques Gonçalves, da agência Lusa
Byron Munton nem sabia que tinha vencido na Senhora da Graça, ponto final de uma quarta etapa da 86.ª Volta a Portugal em bicicleta irremediavelmente ‘manchada’ por uma neutralização provocada pelo fogo e que ‘promoveu’ Artem Nych a líder.
Mais do que o surpreendente triunfo do sul-africano do Feirense-Beeceler, que entrou inesperadamente na luta pela geral, ou o regresso à amarela do campeão em título, a quarta etapa da Volta ficou marcada pela impactante e inédita imagem de um pelotão ‘travado’ pelo incêndio na Serra do Alvão, a contagem de montanha de primeira categoria que os ciclistas não chegaram a subir.
“É incrível. Quando cortei a meta, nem sabia que tinha vencido a etapa. Pensava que ainda havia corredores [da fuga] à minha frente”, confessou Munton, que atacou já dentro dos três quilómetros finais e conseguiu contrariar o favoritismo de Jesús David Peña (AP Hotels&Resorts-Tavira-Farense) e de Artem Nych (Anicolor-Tien21), respetivamente segundo e terceiro a nove segundos.
Os dois grandes candidatos ao triunfo final na 86.ª Volta a Portugal marcaram-se durante toda a subida, com o ‘gigante’ russo a tentar várias vezes fazer descolar o colombiano, que é terceiro da geral, a 12 segundos. No seu primeiro ano no pelotão nacional, o sul-africano de 26 anos sai da Senhora da Graça na segunda posição, a oito segundos do campeão em título, e como novo e sério pretendente ao pódio final.
Nas primeiras pedaladas dos 182,9 quilómetros da quarta etapa, que partiu de Bragança, Francisco Peñuela (Caja Rural), Caleb Classen (Project Echelon Racing), Jan Kino (Atom 6 Bikes-Decca), Edgar Curto (Illes Balears Arabay) e Francisco Morais (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), único representante das equipas nacionais, saltaram para a frente da corrida.
Rapidamente, os cinco alcançaram uma margem ‘gigante’ para o pelotão – chegou aos oito minutos -, de onde vários ciclistas tentaram, depois, saltar, com Diogo Gonçalves e Pedro Andrade (Feirense-Beeceler), Diogo Narciso (Credibom-LA Alumínios-MarcosCar), Jorge Gálvez (Aviludo-Louletano-Loulé) e Unai Esparza (Illes Balears Arabay) a serem aqueles que mais perto ficaram do grupo da frente.
À medida que os quilómetros iam passando e a contagem da Serra do Alvão ficava mais próxima foi-se percebendo que seria impossível subi-la, devido ao incêndio de grandes proporções que aí lavrava há já vários dias e que ‘pintou’ o horizonte de negro.
O pelotão parou na meta volante de Vila Real, foi em marcha lenta atrás do carro do comissário até à Campeã, onde a corrida foi retomada mais de uma hora depois sem respeitar exatamente as diferenças registadas no momento da paragem, com o percurso original a ser ‘amputado’ daquela que era a primeira de duas contagens de montanha de primeira categoria da jornada.
Fosse por facilitismo ou imprudência da organização, caótica até a comunicar as alterações à caravana, o certo é que a quarta etapa ficou irremediavelmente estragada e o interesse reduzido aos quase oito quilómetros da subida à Senhora da Graça, que Peñuela e Classen abordaram com pouco menos de dois minutos de vantagem para o pelotão.
Com todos os outros fugitivos a serem apanhados no sopé do Monte Farinha, o venezuelano da Caja Rural deixou para trás o homem da Project Echelon Racing ainda no primeiro quilómetro da subida, altura em que a Anicolor-Tien21 acelerou para deixar definitivamente para trás o camisola amarela Pau Martí (Israel Premier Tech Academy).
Ainda faltavam seis quilómetros e o grupo de candidatos já estava reduzido aos três primeiros, além de Lucas Lopes (Rádio Popular-Paredes-Boavista), Zac Marriage (Israel Premier Tech Academy) e Alexis Guérin, com o ritmo a ser imposto por Pedro Silva, antes de o francês ter dado um esticão que só eliminou o seu companheiro da Anicolor-Tien e Afonso Silva (AP Hotels&Resorts-Tavira-Farense).
Embora estivessem mais preocupados em marcar-se, os favoritos apanharam Peñuela antes de Muton atacar – o sul-africano foi mesmo o único a conseguir distanciar-se durante toda a subida, cortando a meta no final dos 176,5 quilómetros cronometrados da etapa em 04:24.24 horas, após uma longuíssima jornada de mais de seis horas na estrada.
A 18 segundos do vencedor chegaram Lucas Lopes, o novo líder da juventude, e Guérin, o grande ‘derrotado’ da jornada, por ter sido penalizado em 20 segundos por abastecimento não autorizado nos dois últimos quilómetros da etapa.
Assim, o francês da Anicolor-Tien21 foi relegado ao quinto lugar da geral, por troca com o vencedor da Volta a Portugal do Futuro, estando já a 46 segundos do seu colega Nych após uma tirada em que António Carvalho (Feirense-Beeceler) ficou longe dos seus ‘pergaminhos’ de duplo vencedor na Senhora da Graça, terminando na 19.ª posição, a 01.45 minutos do vencedor.
Na segunda-feira, véspera de dia de descanso, os sprinters terão teoricamente uma rara oportunidade nos 155,5 quilómetros em Lamego e Viseu.
Alexis Guérin penalizado em 20 segundos por abastecimento irregular
O ciclista francês Alexis Guérin (Anicolor-Tien21) foi penalizado em 20 segundos pelo colégio de comissários da 86.ª Volta a Portugal, por abastecimento irregular na quarta etapa.
Guérin, que foi quinto na etapa a 18 segundos do vencedor, o sul-africano Byron Munton (Feirense-Beeceler), era quarto na geral a 26 segundos do seu colega russo Artem Nych, mas a classificação foi retificada pela organização.
O comunicado do colégio de comissários refere que o francês, um dos favoritos ao triunfo nesta edição, foi penalizado em 20 segundos por abastecimento “não autorizado nos últimos dois quilómetros” da etapa que terminou na Senhora da Graça.
Assim, o vencedor do Troféu Joaquim Agostinho e Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela desce a quinto da geral, a 46 segundos de Nych, sendo superado pelo português Lucas Lopes (Rádio Popular-Paredes-Boavista).
O vencedor da Volta a Portugal do Futuro, que lidera a classificação da juventude na prova ‘rainha’ do calendário nacional, é agora quarto, a 43 segundos.
As penalizações por abastecimento irregular não são uma novidade para a equipa de Rúben Pereira, que em 2021 viu o uruguaio Mauricio Moreira ser penalizado em 40 segundos pelo colégio de comissários por ter cometido duas infrações referentes a abastecimento irregular durante a subida à Torre.
Essa ‘sanção’ foi decisiva no desfecho da Volta a Portugal, que ‘Mauri’ perdeu por apenas 10 segundos para o português Amaro Antunes, entretanto desclassificado por doping.
Historial de vencedores na Senhora da Graça
Lista dos vencedores de etapas da Volta a Portugal em bicicleta com meta instalada no Santuário da Senhora da Graça, topo do Monte Farinha, em Mondim de Basto, após a quarta etapa da 86.ª edição, disputada este domingo:
– Vencedores das chegadas ao alto da Senhora da Graça:
2025 – Byron Munton, Afs ((Feirense-Beeceler)
2024 – Abner González, Pri (Efapel).
2023 – James Whelan, Aus (Glassdrive-Q8-Anicolor).
2022 – António Carvalho, Por (Glassdrive-Q8-Anicolor).
2021 – Mauricio Moreira, Uru (Efapel).
2020 – Amaro Antunes, Por (W52-FC Porto).
2019 – António Carvalho, Por (W52-FC Porto).
2018 – Sem vencedor*.
2017 – Sem vencedor**.
2016 – Gustavo Veloso, Esp (W52-FC Porto).
2015 – Filipe Cardoso, Por (Efapel).
2014 – Edgar Pinto (LA Alumínios-Antarte).
2013 – Sergio Pardilla, Esp (MTN-Qhubeka).
2012 – Rui Sousa, Por (Efapel-Glassdrive).
2011 – Hernâni Broco, Por (LA-Antarte).
2010 – David Blanco, Esp (Palmeiras Resort-Prio).
2009 – André Cardoso, Por (Palmeiras Resort-Prio) ***.
2008 – Juan Cobo Acebo, Esp (Scott-American Beef).
2007 – Eladio Jiménez, Esp (Karpin-Galicia).
2006 – João Cabreira (Maia-Milaneza).
2005 – Adolfo Garcia Quesada, Esp (Comunitat Valenciana).
2004 – David Arroyo, Esp (LA-Pecol).
2003 – Pedro Arreitunandia, Esp (Carvalhelhos-Boavista).
2002 – Joan Horrach, Esp (Milaneza-MSS).
2001 – Jose Luis Rebollo, Esp (Festina).
2000 – Claus Moller, Din (Maia-MSS).
1999 – Michele Laddomada, Ita (LA-Pecol).
1998 – Jose Luis Rebollo, Esp (Recer-Boavista).
1997 – Zenon Jaskula, Pol (Mapei).
1996 – Massimiliano Lelli, Ita (Saeco-Levira).
1995 – António Correia (Janotas & Simões).
1994 – Felice Puttini, Sui (Brescialat).
1993 – Quintino Rodrigues (Imporbor-Feirense).
1992 – Cássio Freitas, Bra (Recer-Boavista) ****.
1991 – Jorge Silva (Sicasal-Acral).
1990 – Joaquim Gomes (Sicasal-Acral).
1989 – Santiago Portillo, Esp (Lótus-Zahor).
1988 – Carlos Moreira (Boavista-Sarcol).
1987 – Manuel Vilar (Boavista-Sportlis).
1986 – Carlos Moreira (Sangalhos-Recer).
1985 – Marco Chagas (Sporting-Raposeira).
1984 – Manuel Cunha (Ovarense-Herculano).
1983 – Venceslau Fernandes (Rodovil-Ajacto).
1981 – Benjamim Carvalho (Coimbrões-Fagor).
1980 – neutralizada.
1979 – Marco Chagas (Lousa-Trinaranjus).
1978 – João Costa (Campinense).
* Raúl Alarcón (W52-FC Porto) foi o primeiro e Edgar Pinto (Vito-Feirense-Blackjack) o segundo, mas os seus resultados foram anulados por doping e a Federação Portuguesa de Ciclismo ainda não reatribuiu a vitória.
** O vencedor Raúl Alarcón (W52-FC Porto) foi desclassificado por doping e a Federação Portuguesa de Ciclismo ainda não reatribuiu a vitória.
*** João Cabreira (CC Loulé-Louletano) foi o primeiro e Nuno Ribeiro (Liberty Seguros) o segundo, mas os seus resultados foram anulados por doping.
**** O vencedor Quintino Rodrigues (Philips-Feirense) foi desclassificado por doping.
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