Famílias de turistas do Reino Unido que morreram depois de adoecerem em férias em Cabo Verde avançaram com ações judiciais, num caso que volta a colocar sob escrutínio a segurança sanitária em alguns resorts do arquipélago, num destino turístico cada vez mais procurado.
Os processos são conduzidos pelo escritório Irwin Mitchell e visam o operador turístico TUI, que vendeu pacotes de férias para hotéis na ilha do Sal, segundo a imprensa britânica e cabo-verdiana.
De acordo com as informações divulgadas, quatro turistas britânicos morreram em 2025 no destino turístico, num intervalo de meses, após episódios de doença gastrointestinal grave, e os advogados dizem ainda estar a avaliar outras mortes ocorridas desde 2023.
A ação na justiça e o que está a ser reclamado
O mesmo escritório afirma representar mais de 1.500 pessoas que terão adoecido depois de visitar Cabo Verde, e refere que as famílias dos seis casos mortais que acompanha estão a pedir indemnizações por danos pessoais.
Entre os casos descritos pela imprensa constam nomes e idades de vítimas, bem como relatos de sintomas intensos durante a estadia e após o regresso ao Reino Unido, alguns dos quais foram divulgados através da Press Association.
Num dos desenvolvimentos mais imediatos, uma ação coletiva relacionada com doenças reportadas por turistas que estiveram em resorts no verão de 2022 está marcada para ser analisada pelo tribunal em Londres a 4 de fevereiro de 2026, segundo a ITV News.
Suspeitas de shigella e investigação no Reino Unido
As notícias apontam para suspeitas de infeções como shigella, embora também sejam referidos diagnósticos de E. coli e salmonella em alguns doentes, em investigações associadas a viagens e estadias em hotéis.
A UK Health Security Agency confirmou que está a investigar casos de shigella ligados a viagens para Cabo Verde, numa altura em que aumentaram os alertas sobre infeções gastrointestinais associadas a turismo.
No plano da informação ao viajante, também é referido que houve avisos no Reino Unido sobre o risco de infeção em viajantes, com recomendações de higiene básica, em particular lavagem frequente das mãos e cautela com alimentos e água em contexto de viagem.
Autoridades cabo-verdianas rejeitam “surto ativo” no destino turístico
Do lado cabo-verdiano, o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, contestou a existência de um “surto ativo” e disse que “não existem evidências epidemiológicas públicas” que sustentem essa leitura, defendendo que a coincidência temporal entre viagem e doença não prova causalidade.
O governante acrescentou que a determinação de um nexo causal exige confirmação laboratorial e investigação estruturada, e indicou que o ministério acionou serviços e entidades para uma investigação técnica desde o final de 2025.
Enquanto a ação judicial avança no Reino Unido, o caso permanece sensível por cruzar várias dimensões, saúde pública, responsabilidade de operadores turísticos e perceção de segurança do destino, com famílias a pedir respostas e autoridades cabo-verdianas a rejeitarem generalizações sem base científica comprovada.
















