A Câmara Municipal de Alcoutim decretou três dias de luto municipal pela morte do antigo dirigente comunista Carlos Brito, falecido na quinta-feira, aos 93 anos. O período de luto decorre entre esta sexta-feira e domingo, anunciou a autarquia algarvia em comunicado.
Segundo a nota divulgada pelo município, o “presidente da Câmara de Alcoutim, Paulo Paulino, em representação do executivo municipal, determinou luto municipal nos dias 08, 09 e 10 de maio [hoje, sábado e domingo], com a colocação da bandeira do município a meia haste”.
A autarquia explica que, com este “gesto simbólico”, pretende assinalar o “sentimento de pesar da população do concelho” onde Carlos Brito residia, manifestando também “solidariedade e sentidas condolências à família, amigos e a todos aqueles que com ele privaram e partilharam o seu percurso de vida”.
Para a Câmara de Alcoutim, o antigo dirigente comunista permanecerá na “memória coletiva de Alcoutim”, sendo recordado como um “homem de pensamento, de liberdade e de profundo compromisso com a sua terra e com as pessoas”.
Município destaca percurso político e cívico
Para a Câmara Municipal, Carlos Brito vai ficar na “memória coletiva de Alcoutim” depois de ter tido um percurso que o notabilizou como “homem de pensamento, de liberdade e de profundo compromisso com a sua terra e com as pessoas”.
“O município de Alcoutim manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Carlos Brito, ocorrido no dia 07 de maio [quinta-feira], figura ímpar da vida cívica, política e intelectual portuguesa, cujo percurso deixa uma marca indelével na história recente do país e, de forma muito especial, no concelho de Alcoutim”, expressou a autarquia.
A Câmara algarvia salientou que Carlos Brito foi um “combatente pela liberdade” e um “homem de fortes convicções democráticas”, que desempenhou, ao longo da sua vida pública, funções como deputado à Assembleia Constituinte, deputado à Assembleia da República ou membro da Assembleia Municipal de Alcoutim.
O município lembrou que Carlos Brito sempre teve uma “ligação profunda ao concelho” e participou de “forma ativa e apaixonada na vida comunitária, cultural e social de Alcoutim”, tendo sido distinguido com a Medalha de Mérito Municipal e a Medalha de Honra do Município.
Décadas ligadas ao PCP e à política nacional
Carlos Brito nasceu em Moçambique em 1933 e foi militante do PCP durante 48 anos, como funcionário, membro do Comité Central, líder parlamentar, diretor do jornal “Avante!” e candidato à Presidência da República.
Durante a ditadura, Carlos Brito passou dez anos na clandestinidade e oito anos na prisão. A seguir ao 25 de Abril esteve 16 anos na Assembleia da República, 15 dos quais como líder do grupo parlamentar.
Saiu do parlamento em 1991, após não ter sido eleito pelo círculo de Faro.
Em 1980 concorreu às presidenciais contra Ramalho Eanes e Soares Carneiro, desistindo à boca das urnas.
Divergências internas marcaram últimos anos
Pertenceu 33 anos ao Comité Central, órgão que deixou em novembro de 2000, quando renunciou ao lugar em desacordo com as orientações do XVI Congresso.
Carlos Brito esteve entre os dirigentes que reclamaram um congresso extraordinário após a derrota eleitoral do PCP nas autárquicas de 2001. No seguimento da luta interna que opôs os chamados “renovadores” aos defensores da ortodoxia do partido, Carlos Brito foi suspenso do PCP em 2002 por 10 meses.
A sanção disciplinar foi decidida pelo Secretariado do partido, entre várias expulsões de críticos da direção, entre os quais Edgar Correia, já falecido, e Carlos Luís Figueira, que viriam a formalizar alguns anos depois a associação política Renovação Comunista, que Carlos Brito também integrou.
Era casado, teve duas filhas, e estava retirado em Alcoutim, no Algarve, local de origem da sua família. Dedicou-se durante muitos anos a escrever poesia, ficção e a participar no movimento associativo para o desenvolvimento regional.
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