O Governo admite vir a incluir as embalagens de vidro no sistema de depósito e reembolso, mas para já afasta uma decisão imediata. A ministra do Ambiente e Energia defende que é preciso avaliar primeiro se essa solução compensa, em termos económicos, face ao modelo atualmente usado com os ecopontos vidrão.
A possibilidade foi admitida por Maria da Graça Carvalho no dia em que entrou em vigor o novo sistema de depósito e reembolso de embalagens de bebidas de uso único, conhecido como Volta.
Nesta fase inicial, e de acordo com o Notícias ao Minuto, o sistema aplica-se apenas a embalagens de plástico e metal até três litros, que passam a dar direito a um reembolso de 10 cêntimos quando são devolvidas vazias nas máquinas automáticas.
Vidro pode entrar, mas Governo quer avaliar custos
A ministra reconheceu que o vidro poderá vir a integrar este modelo, mas sublinhou que o caso é diferente dos restantes materiais já abrangidos.
Segundo explicou, o vidro não pode ser tratado da mesma forma nas máquinas agora instaladas, o que obriga a analisar a mecânica do sistema e a sua viabilidade económica.
Para o Executivo, a questão central está em perceber se um sistema de depósito e reembolso para vidro traria vantagens reais face ao modelo atual, numa altura em que esse material continua a ser encaminhado sobretudo através do vidrão.
Novo sistema já está no terreno
Com a entrada em vigor do Volta, os consumidores podem devolver embalagens de bebidas de plástico e metal, desde que tenham o símbolo do sistema, estejam inteiras, sem líquidos, com tampa e com código de barras legível.
Ao serem aceites nas máquinas, as embalagens são esmagadas e o consumidor recebe os 10 cêntimos correspondentes ao valor de depósito pago na compra.
A rede disponível em Portugal inclui 2.500 máquinas automáticas, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 48 quiosques destinados a entregas de maiores quantidades.
Fase de transição prolonga-se até agosto
Até 9 de agosto, o sistema estará numa fase de transição. Isso significa que continuarão a existir no mercado bebidas sem o logótipo Volta, que por isso não poderão ser devolvidas nas máquinas.
Nesses casos, o consumidor também não terá pago os 10 cêntimos adicionais associados à embalagem, pelo que não haverá qualquer reembolso.
O objetivo definido pelos responsáveis pelo sistema é reciclar 90% das embalagens abrangidas até 2029, alinhando Portugal com metas mais ambiciosas na área da recolha seletiva.
Governo fala também em reutilização
Apesar do foco na reciclagem, a ministra do Ambiente adiantou que estão também a ser feitos investimentos na reutilização de embalagens.
Essas verbas estão a ser canalizadas através do Plano de Recuperação e Resiliência e de programas operacionais financiados pelo Fundo de Coesão, incluindo o Sustentável 2030 e instrumentos regionais.
O sistema de depósito e reembolso já funciona em vários países europeus, como Alemanha, Áustria e Dinamarca, onde recolhe anualmente milhares de milhões de embalagens. Em Portugal, o eventual alargamento ao vidro fica agora dependente da análise entre custo e benefício.
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