Portugal terá este ano 438 praias, marinas e embarcações distinguidas com bandeira azul, menos seis do que em 2025. Entre as praias que perderam o galardão está a Praia dos Pescadores, em Albufeira, no Algarve, devido a questões relacionadas com a qualidade da água, embora a Associação Bandeira Azul da Europa garanta que se trata de uma situação pontual e não preocupante, segundo o Expresso.
O anúncio foi feito esta quinta-feira pela Associação Bandeira Azul da Europa, durante uma cerimónia realizada no Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal, no Estoril. Segundo o presidente da associação, José Archer, vão hastear a bandeira azul na próxima época balnear 396 praias, das quais 350 costeiras e 46 interiores.
Em comparação com o ano passado, foram distinguidas menos oito praias. Ainda assim, Portugal mantém uma posição de destaque a nível internacional, ocupando o quinto lugar mundial no número de praias costeiras galardoadas e o segundo lugar nas praias interiores.
Algarve perde praia emblemática
A saída da Praia dos Pescadores, em Albufeira, acabou por chamar a atenção por se tratar de uma das zonas balneares mais conhecidas do Algarve. Segundo José Archer, as perdas registadas este ano estão ligadas sobretudo às condições climatéricas verificadas durante a última época balnear.
“Tivemos menos galardões que no ano passado, mas isso também teve a ver essencialmente com as condições climatéricas que ocorreram durante a época balnear, que penalizam sempre a qualidade da água balnear”, afirmou o responsável, citado pela mesma fonte.
Apesar da perda desta praia algarvia, a região ganhou duas novas praias distinguidas: a Albufeira de Odeleite, em Tavira, e a Praia do Lago Verde, em Castro Marim.
Também noutras regiões do país houve praias que deixaram de cumprir os critérios exigidos para a atribuição da bandeira azul. No Norte perderam o galardão as praias do Cavadinho, em Braga, do Arquiteto Albino Mendo, em Mirandela, e ainda a praia do Espinho-Baía.
Cascais entre os concelhos mais afetados
Na região Centro, deixaram de estar distinguidas as praias de Cornicovo, em Penacova, e Cova Gala Hospital, na Figueira da Foz.
Já na zona de Lisboa e Vale do Tejo, o concelho de Cascais perdeu três praias com bandeira azul: Moitas, Tamariz e Poça. Também ficaram de fora este ano a Praia Fluvial do Sorraia, em Coruche, Álvares, em Góis, Santa Luzia, Pessegueiro, Praia da Pampilhosa da Serra e Porto da Calada, em Mafra.
Nos Açores, foram distinguidas 45 praias costeiras, menos uma do que em 2025, tendo saído da lista a Calheta dos Lagadores, na Praia da Vitória, ilha Terceira. De acordo com a fonte acima mencionada, na Madeira, a praia da Calheta, em Porto Santo, também perdeu o galardão.
Há novas praias distinguidas em várias regiões
Apesar das saídas, houve também novas entradas na lista de praias galardoadas. No Norte, passaram a integrar o programa Bandeira Azul as praias da Foz do Lima e Rodanho, em Viana do Castelo, além de Agudela Sul e Meia Laranja, em Matosinhos.
Na região do Tejo entrou a praia da Ribeira Grande, na Sertã, município que se candidatou pela primeira vez ao programa. Já no Alentejo foi distinguida a praia de Oriola, em Portel.
José Archer destacou ainda que este é um ano de transição para o programa, uma vez que os critérios de atribuição da bandeira azul vão sofrer alterações a partir de 2027, incluindo novos requisitos e auditorias externas na validação das candidaturas.
Segundo explicou, haverá este ano um período extraordinário de candidaturas durante os meses de julho e agosto, permitindo que novas praias ou praias que pretendam regressar ao programa possam ainda ser avaliadas para futuras distinções.
Tempestades obrigam a regime excecional
Outro dos temas destacados pela associação prende-se com os estragos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal entre janeiro e fevereiro, sobretudo no Norte e Centro do país.
De acordo com José Archer, algumas praias ficaram praticamente sem areia e continuam a decorrer obras de recuperação de acessos, arribas e estruturas de contenção. Por esse motivo, será aplicado este ano um regime excecional que permitirá hastear a bandeira azul mais tarde em zonas afetadas pelas intempéries.
“Há zonas onde, de facto, os estragos foram muito consideráveis”, referiu o presidente da Associação Bandeira Azul da Europa, acrescentando que os municípios estão a fazer “um esforço grande” para garantir que tudo esteja pronto a tempo da época balnear.
Recorde-se que a atribuição da bandeira azul depende de vários critérios relacionados com a qualidade da água, segurança, serviços, ordenamento do espaço balnear, vigilância e educação ambiental.
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