A Câmara Municipal de Setúbal está a desenvolver um projeto que poderá permitir o acesso às praias da Arrábida por via marítima a partir de 2027, criando uma alternativa aos constrangimentos rodoviários que têm marcado os últimos tempos naquela zona costeira. A intenção passa por disponibilizar um serviço com preços semelhantes aos praticados nos transportes públicos abrangidos pelo passe Navegante.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a autarquia já iniciou contactos com operadores privados que manifestaram disponibilidade para assegurar estas ligações marítimas. A medida surge numa altura em que os acessos rodoviários à serra da Arrábida continuam condicionados por questões de segurança.
Solução pensada para aliviar as estradas
A vice-presidente da Câmara de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, explicou que o objetivo é reduzir a pressão automóvel sobre os acessos às praias e oferecer uma alternativa sustentável aos visitantes. “É um projeto para desenvolver para o próximo ano”, afirmou à agência noticiosa.
Segundo a mesma fonte, o município pretende que o serviço funcione com tarifas equivalentes às dos restantes transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa. Contudo, a concretização dessa solução depende ainda de articulação com diversas entidades, entre elas a Transportes Metropolitanos de Lisboa.
Tempestades aceleraram a procura de alternativas
A proposta ganhou força depois das tempestades que atingiram o concelho nos primeiros meses do ano. Os fenómenos meteorológicos agravaram a instabilidade das arribas da Arrábida e obrigaram à implementação de restrições em vários troços rodoviários por razões de segurança.
Maria do Carmo Tiago explicou ainda que a solução marítima não poderá avançar já nesta época balnear. Antes disso será necessário criar infraestruturas de apoio para a atracação das embarcações e para o embarque e desembarque de passageiros junto das praias.
Investimentos continuam a ser necessários
Paralelamente ao desenvolvimento do novo transporte, o município continua a identificar intervenções consideradas prioritárias na frente costeira. Entre elas está a reparação do talude que cedeu junto aos acessos à Praia de Albarquel.
Conforme a mesma fonte, a obra está atualmente estimada em cerca de 6,9 milhões de euros. A autarquia acompanha também a situação de um maciço rochoso com aproximadamente 2.000 toneladas que se encontra entre as praias da Figueirinha e de Galapos e que apresenta risco de derrocada.
Pedido de apoio para recuperar os danos
Para responder aos estragos provocados pelas intempéries, a Câmara de Setúbal apresentou ao Governo e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo uma estimativa global de cerca de 50 milhões de euros.
A Lusa refere que este valor inclui intervenções na Arrábida, trabalhos de estabilização de arribas, reparações em infraestruturas afetadas e outras obras necessárias em diferentes zonas do concelho, incluindo áreas da freguesia de Azeitão.
O que pode mudar em 2027
Caso avance dentro dos prazos previstos, o transporte marítimo poderá tornar-se uma nova forma de chegar a algumas das praias mais procuradas da região. A aposta pretende não só melhorar a mobilidade durante o verão, mas também reduzir a dependência do automóvel numa área particularmente sensível do ponto de vista ambiental.
Para já, o município aguarda o desenvolvimento dos estudos e das articulações necessárias, ao mesmo tempo que procura financiamento público para suportar os investimentos associados à recuperação dos danos causados pelos fenómenos meteorológicos extremos registados no início do ano.
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