O número nacional de emergência médica está a ser contactado em Portugal como nunca aconteceu. Em média, cerca de 5.000 chamadas por dia chegam ao 112, refletindo um aumento significativo dos pedidos de socorro, uma maior gravidade clínica das ocorrências e uma pressão acrescida sobre a resposta do sistema de emergência.
Os dados mais recentes indicam que esta evolução não resulta de um episódio pontual. Trata-se de uma tendência consolidada ao longo do último ano, com implicações diretas na organização dos meios de socorro e na capacidade de resposta do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
De acordo com uma análise da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), realizada a partir dos dados publicados no Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde, o número de chamadas atendidas pelo 112 aumentou mais de 11% num único ano.
O INEM confirma tratar-se de um máximo histórico. Segundo a mesma fonte, o volume diário situa-se muito acima dos valores registados em 2022, quando, já após a pandemia, se contabilizavam cerca de 4.000 chamadas por dia.
Aumento que não se limita ao inverno
Escreve o jornal Expresso que dezembro e janeiro continuam a ser os meses com maior procura, mas a evolução recente revela um padrão diferente do habitual. Conforme a mesma fonte, ao longo de 2025 verificou-se um crescimento expressivo das chamadas mesmo fora do período invernal, contrariando a tendência sazonal tradicionalmente observada.
Os gráficos elaborados pela ENSP mostram que, já neste mês de janeiro, o número médio de chamadas diárias subiu para cerca de 5.500, elevando ainda mais a fasquia dos pedidos de socorro. Segundo o presidente do INEM, Luís Cabral, cerca de 500 chamadas por dia são transferidas da Linha SNS24 para o 112, o que representa um acréscimo significativo da carga operacional diária.
Casos mais graves entre os pedidos de socorro
Os dados analisados revelam que o aumento não se limita ao volume de contactos. Refere a mesma fonte que os casos classificados como emergentes ou urgentes com risco de agravamento clínico registaram um crescimento de cerca de 10%.
O INEM detalha que as chamadas dizem maioritariamente respeito a situações de trauma, outros problemas clínicos, alterações do estado de consciência e episódios de dispneia, concentrando a maioria das ocorrências.
Mais meios acionados e novas pressões
Segundo a ENSP, o reforço da procura traduziu-se numa maior ativação de meios, com destaque para as ambulâncias de socorro dos bombeiros, cujas saídas aumentaram 13%, seguidas pelas ambulâncias de suporte imediato de vida e pelas viaturas médicas de emergência e reanimação.
O INEM explica que as ambulâncias intervêm tanto nas situações menos graves como nas mais complexas, estando presentes em praticamente toda a cadeia de resposta. Acrescenta o Expresso que fatores, como o aumento das doenças crónicas, infeções respiratórias, fenómenos meteorológicos extremos, maior população presente no país por via do turismo e o envelhecimento demográfico ajudam a explicar o agravamento clínico das ocorrências.
















