A aproximação do tufão Ragasa levou os residentes de um país onde vivem mais de 2.000 portugueses a anteciparem-se com a compra de bens essenciais. De acordo com a agência de notícias Lusa, a polícia local de Macau apelou no último domingo à população para que garantisse provisões de água e alimentos suficientes para três dias, um aviso que rapidamente se refletiu nos corredores dos supermercados.
Nos estabelecimentos mais centrais, como o Royal e o San Miu, registou-se uma procura elevada. Algumas prateleiras ficaram parcialmente vazias, sobretudo nas secções de produtos enlatados e noodles instantâneos. Os funcionários repunham os artigos de forma contínua, tentando responder à forte afluência. A professora Kitty Ma, de 40 anos, explicou à mesma fonte que fazia compras a pensar na família: “temos idosos e crianças em casa, venho abastecer-me para me preparar para o tufão”.
Supermercados sob pressão
Com o carrinho já cheio, a docente optou por legumes, carne congelada e enlatados. Um funcionário do Royal confirmou que o movimento era idêntico ao de outras ocasiões em que se aproxima uma tempestade. “As pessoas vêm sempre comprar massa, pão e comida instantânea, e a fila na caixa é sempre longa”, relatou à Lusa, acrescentando que não via nada de invulgar desta vez.
Acrescenta a publicação que no San Miu, concorrente direto, o cenário foi semelhante, embora sem prateleiras vazias. Nem todos, porém, entraram no espírito de preparação. Um funcionário público, identificado apenas como Chan, afirmou estar a fazer compras normais, ainda que admitisse ter guardado cinco garrafas de água em casa. Também Mandy Chan, de 35 anos, garantiu estar a manter os hábitos de consumo, apesar de ter levado quantidade suficiente para os dias recomendados pelas autoridades.
Autoridades asseguram abastecimento
Refere a mesma fonte que o Instituto para os Assuntos Municipais divulgou entretanto um comunicado, assegurando que o abastecimento de produtos frescos permanece “abundante”. O organismo explicou estar em contacto permanente com os fornecedores, garantindo a estabilidade no fornecimento de vegetais, carne e outros alimentos perecíveis.
O chefe do executivo de Macau, Sam Hou Fai, deslocou-se a algumas zonas baixas da cidade e alertou para os riscos associados à trajetória do Ragasa. O olho da tempestade poderá passar a cerca de 100 quilómetros do território já na quarta-feira, 24 de setembro, coincidindo possivelmente com a maré alta astronómica, o que pode levar a inundações significativas.
Memória dos tufões passados
Explica a Lusa que, se tal se confirmar, as águas poderão subir até cinco metros em determinadas áreas, cenário comparável ao vivido nos tufões Hato, em 2017; e Mangkhut, em 2018. O primeiro causou dez mortos e mais de duas centenas de feridos, sendo considerado o mais grave em meio século, enquanto o segundo provocou 40 feridos e danos de grande dimensão.
Para reduzir riscos, as autoridades suspenderam todas as aulas nos ensinos infantil, primário, secundário e especial durante dois dias. Também os serviços públicos estarão encerrados, com exceção das urgências e da proteção civil.
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