A TAP vai retomar, a partir de 13 de julho, as ligações aéreas entre Portugal e a Venezuela, embora os voos passem a operar temporariamente para um aeroporto diferente do habitual. A alteração resulta dos danos provocados pelos sismos que atingiram o país sul-americano no final de junho e obrigaram ao encerramento da principal infraestrutura aeroportuária de Caracas.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a companhia aérea portuguesa passará a utilizar o Aeroporto Arturo Michelena, na cidade de Valência, situada cerca de 170 quilómetros a oeste da capital venezuelana. A solução foi anunciada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.
O governante explicou que o primeiro voo está previsto para 13 de julho e que, numa fase inicial, será assegurada uma ligação semanal. “A ideia é conseguirmos dois voos semanais”, afirmou.
Encerramento do aeroporto de Caracas
A mudança deve-se ao encerramento do Aeroporto Simón Bolívar, em Maiquetía, a principal porta de entrada aérea da Venezuela. A infraestrutura sofreu danos estruturais na sequência dos sismos registados a 24 de junho, o que obrigou à suspensão das operações.
Além do transporte de passageiros, o regresso da TAP permitirá também reforçar o envio de ajuda para o país. O voo transportará cerca de sete toneladas e meia de produtos farmacêuticos disponibilizados pelo Ministério da Saúde, destinados a responder às necessidades provocadas pela catástrofe.
Comunidade portuguesa entre as prioridades
Durante a visita oficial à Venezuela, Emídio Sousa destacou a importância do restabelecimento das ligações aéreas para milhares de pessoas. “Há muita gente que quer vir, outros que querem partir”, afirmou, acrescentando que o regresso dos voos representa uma resposta importante para a comunidade portuguesa residente no país.
O secretário de Estado encontra-se na Venezuela desde quarta-feira, 8 de julho, numa deslocação de quatro dias, durante a qual visitou o estado de La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos sismos, e reuniu com elementos das equipas portuguesas de resgate, autoridades diplomáticas e representantes da comunidade lusa.
Portugal entra agora na fase da ajuda humanitária
A missão portuguesa evoluiu entretanto da fase de busca e salvamento para a ajuda humanitária. Conforme a mesma fonte, Portugal enviou dois aviões da Força Aérea com cerca de 12 toneladas de bens essenciais, incluindo alimentos, material de higiene, saneamento, duas ambulâncias totalmente equipadas e diverso equipamento destinado às operações no terreno.
Emídio Sousa explicou que a fase inicial das operações terminou e reconheceu que encontrar sobreviventes nos escombros “será quase impossível. Só mesmo um milagre”.
Apoio financeiro e reconstrução
Portugal disponibilizou ainda 400.000 euros para financiar dois projetos de apoio humanitário desenvolvidos pela Cáritas e pela Oikos, destinados a apoiar cerca de 1.500 famílias afetadas pelos sismos.
O governante adiantou também que irá manter contactos com as autoridades venezuelanas para identificar as necessidades prioritárias e preparar a fase de reconstrução, reiterando o compromisso português de continuar a apoiar o país.
Balanço continua a agravar-se
A Lusa refere que o mais recente balanço oficial aponta para pelo menos 3.811 mortos e 16.740 feridos na sequência dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5, registados com menos de um minuto de intervalo e seguidos por mais de 1.100 réplicas.
Entre as vítimas mortais encontram-se, pelo menos, 102 portugueses e lusodescendentes. Permanecem ainda 57 pessoas desaparecidas ou sem contacto conhecido, enquanto vários países, incluindo Portugal e outros Estados da UE, continuam envolvidos nas operações de apoio às populações afetadas.
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