A Eurovisão é um dos maiores espetáculos musicais da Europa, e com esse sucesso, vem sempre um crescente interesse mundial, que volta a estar em destaque, com novas possibilidades a surgir fora das fronteiras habituais do continente. Nesse sentido, o Governo do Canadá poderá estar prestes a confirmar a estreia do mesmo no Festival Eurovisão da Canção.
Esta hipótese foi levantada depois de o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, incluir uma referência à “exploração da participação na Eurovisão” nos primeiros orçamentos gerais apresentados desde que assumiu o cargo, em março deste ano. Segundo o jornal digital espanhol HuffPost, trata-se da primeira vez que uma menção oficial ao evento europeu surge num documento governamental canadiano, sinalizando negociações avançadas e um interesse político e cultural inédito na integração do país no festival.
O ministro das Finanças e Receitas, François-Philippe Champagne, confirmou em entrevista televisiva que o Canadá “recebeu a proposta” para participar no concurso, embora não tenha esclarecido se o convite partiu diretamente da União Europeia de Radiodifusão (UER), organizadora do festival, ou de outro país participante.
Estreia a definir
Não foi indicado se a estreia poderia ocorrer já na edição de 2026, a realizar-se em Viena, Áustria. Um porta-voz do Departamento de Finanças afirmou ao National Post que “mais detalhes serão anunciados em breve”, o que alimentou as expetativas dos fãs e dos meios de comunicação locais.
Durante a entrevista, Champagne descreveu o Festival Eurovisão como “uma plataforma para que o Canadá brilhe”, sublinhando que o país “tem muito a oferecer” num festival desta dimensão.
O ministro recordou ainda que o Canadá tem uma longa tradição musical de exportação, com artistas de renome mundial como Céline Dion, que curiosamente venceu o Festival Eurovisão em 1988, representando a Suíça. A referência foi vista como uma forma simbólica de reforçar o laço histórico entre o país e o concurso.
Critérios de participação
Para integrar o Festival Eurovisão da Canção, segundo a mesma fonte, um país deve ser membro da União Europeia de Radiodifusão (UER) e situar-se, com base na referência de Greenwich, entre o paralelo 30 norte e o meridiano 40 este. Por esse motivo, países como Marrocos (que participou em 1980), Israel, Egito, Jordânia, Líbano ou Tunísia estão tecnicamente aptos a concorrer.
Outros países fora dessa zona, como Arménia, Azerbaijão e Geórgia, também participam graças à sua ligação ao Conselho da Europa, entidade que promove a cooperação e os direitos humanos entre os Estados europeus. Este enquadramento tem permitido à UER flexibilizar as suas regras ao longo dos anos, fomentando a inclusão e a diversidade cultural entre os participantes.
A possível entrada do Canadá reforçaria esta tendência de abertura, aproximando ainda mais o festival do estatuto de evento musical verdadeiramente global. Para muitos analistas, seria também uma oportunidade para fortalecer as relações culturais transatlânticas, ampliando o alcance televisivo e a audiência da Eurovisão no continente americano.
Precedente australiano
A Austrália é o caso mais singular, que, apesar de se situar fora do espaço europeu, é membro da UER através da Special Broadcasting Service (SBS), a sua televisão pública. A emissora transmite o festival há mais de 35 anos e, em 2015, foi convidada a participar pela primeira vez. Desde então, o país tornou-se presença regular no concurso, tendo alcançado posições de destaque em várias edições.
O Canadá tem um enquadramento semelhante: a Canadian Broadcasting Corporation (CBC), estação pública canadiana, é membro associado da UER, tal como a australiana, embora raramente transmita o Festival Eurovisão.
De acordo com a mesma fonte, a sua eventual adesão representaria um passo simbólico na aproximação entre a América do Norte e a Europa, abrindo também novas oportunidades de cooperação artística e mediática entre emissoras públicas.
Regressos e tensões
A possível estreia canadiana poderá coincidir com o regresso de três países que se afastaram nos últimos anos por razões económicas: Roménia (ausente desde 2023), Bulgária (desde 2022) e Moldávia (desde 2024). A UER tem procurado facilitar o regresso destes participantes, oferecendo condições mais acessíveis e incentivos para garantir a estabilidade do número de concorrentes.
Fontes próximas da organização admitem que a inclusão de novos países e o retorno de antigos participantes poderão compensar eventuais desistências. Espanha, Países Baixos, Irlanda, Eslovénia e Islândia já manifestaram reservas quanto à presença de Israel em Viena 2026, um tema que será debatido na próxima Assembleia Geral da UER, marcada para 4 e 5 de dezembro, em Londres.
De acordo com o HuffPost, o encontro deverá definir não apenas a lista final de países a concurso, mas também o rumo político e artístico de uma das edições mais aguardadas dos últimos anos.
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