A Rússia e a Coreia do Norte estão a reforçar as suas ligações com a construção de uma nova ponte sobre o rio Tumen, um projeto que simboliza o crescente alinhamento estratégico entre Moscovo e Pyongyang desde o início da guerra na Ucrânia. O empreendimento, apoiado por Vladimir Putin, surge como mais um passo na aproximação entre dois países cada vez mais isolados do Ocidente.
De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, imagens de satélite recentes mostram avanços significativos na construção da primeira ponte rodoviária que ligará os dois países.
O projeto, que se estende ao longo do rio Tumen, fronteira natural entre a Rússia e a Coreia do Norte, tem como objetivo facilitar o transporte de mercadorias e reforçar a cooperação económica e política entre ambos os regimes, de acordo com o jornal digital espanhol HuffPost.
Estrutura da ponte
Segundo os meios de comunicação estatais russos, a estrutura terá cerca de cinco quilómetros, incluindo as vias de acesso. Do lado russo, a construção já avança por cerca de 110 metros, enquanto do lado norte-coreano a extensão chega aos 150 metros, com seis pilares erguidos e a rampa de acesso praticamente concluída.
Paralelamente, está em curso a edificação de um novo complexo fronteiriço e aduaneiro de cinco quilómetros quadrados, com armazéns, edifícios administrativos e zonas de estacionamento destinadas à logística comercial.
Aceleramento das obras e reforço económico
De acordo com os analistas do CSIS, citados pela mesma fonte, o ritmo intenso das obras reflete o fortalecimento dos laços estratégicos entre Moscovo e Pyongyang, numa altura em que a Rússia procura alternativas para contornar as sanções internacionais.
Mesmo com a aproximação do inverno, os especialistas estimam que a nova ponte, que liga a Rússia à Coreia da Norte, poderá estar concluído no primeiro trimestre de 2026.
Rota ferroviária já tinha sido reativada
A nova ligação rodoviária surge após a reativação, em junho deste ano, da rota ferroviária entre as capitais dos dois países, Pyongyang e Moscovo, suspensa desde 2019. Um comboio de passageiros completou a viagem em oito dias, marcando oficialmente o restabelecimento do percurso, de acordo com a agência russa TASS.
“Os maquinistas estão entusiasmados. Trabalharam durante anos nestes comboios e agora podem retomar os serviços”, referiu o governo russo, citado pela mesma fonte, destacando as melhorias implementadas nas composições.
Relações cada vez mais estreitas
O presidente Vladimir Putin afirmou recentemente que as relações com a Coreia do Norte “decorrem segundo o previsto”. Durante um encontro com a ministra dos Negócios Estrangeiros norte-coreana, Choi Suon Hui, o líder russo recordou a reunião com Kim Jong Un, realizada em Pequim, onde discutiram “as perspetivas de desenvolvimento” das relações bilaterais, incluindo a cooperação militar.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, destacou o “ímpeto” do relacionamento desde a cimeira de 2024 em Pyongyang, que consolidou a parceria estratégica entre os dois países.
Após essa reunião, o regime norte-coreano enviou tropas para a região russa de Kursk, em apoio às forças de Moscovo, após uma incursão ucraniana. “Os russos nunca esquecerão as façanhas dos soldados e oficiais da Coreia do Norte na defesa da pátria russa”, afirmou Lavrov.
Uma aliança em consolidação
A Coreia do Norte, contudo, tem mantido silêncio oficial sobre esse envio de militares. Serviços de inteligência britânicos, de acordo com o HuffPost, estimam que as tropas norte-coreanas tenham sofrido mais de seis mil baixas, entre mortos e feridos, desde o início do destacamento.
Com este novo eixo de cooperação, a ponte sobre o rio Tumen torna-se não apenas uma ligação física, mas também um símbolo de resistência conjunta perante o isolamento internacional de dois regimes que, passo a passo, consolidam uma aliança cada vez mais visível no cenário geopolítico mundial.
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