Na madrugada de terça para quarta-feira passada, viveu-se uma situação inédita desde o início da guerra na Ucrânia. O comando operacional das Forças Armadas polacas anunciou que drones russos violaram repetidamente o seu espaço aéreo, forçando Varsóvia a colocar em alerta máximo caças, helicópteros e sistemas de defesa antiaérea.
O episódio foi comunicado de imediato à NATO, da qual a Polónia é membro. Em Bruxelas, a noite foi considerada “longa” pelos observadores, perante o risco de internacionalização do conflito que dura já há três anos e meio.
Drones em território polaco
Segundo o exército polaco, o espaço aéreo foi invadido por vários objetos lançados a partir da Bielorrússia. Ao todo, foram detetados restos de um míssil e de sete drones em diferentes pontos do país, incluindo na região de Lódz, a mais de 300 quilómetros da fronteira, refere o jornal digital espanhol HuffPost, que classificou a situação como de “máximo alerta”.
As incursões ocorreram entre as 23h30 de terça-feira e as 06h30 de quarta-feira. As autoridades confirmaram danos numa habitação e num automóvel, mas não há vítimas a registar.
Resposta imediata
Para interceptar os drones, a Polónia mobilizou caças F-35 e F-16, bem como helicópteros MI-24, MI-17 e Black Hawk. Também participaram aviões dos Países Baixos e de Itália, em coordenação com o comando aéreo da NATO.
As forças de segurança pediram à população que não se aproximasse de destroços encontrados e reforçaram os apelos para que qualquer objeto suspeito fosse comunicado de imediato.
Governo convoca reunião de emergência
O primeiro-ministro Donald Tusk confirmou que manteve contacto permanente com o presidente, o ministro da Defesa e a liderança da Aliança Atlântica, de acordo com a mesma fonte. Foi convocado um Conselho de Ministros extraordinário, bem como uma reunião urgente de segurança nacional para avaliar o impacto do incidente.
Entretanto, quatro aeroportos, incluindo o de Varsóvia-Chopin, foram temporariamente encerrados por precaução, reabrindo horas depois.
Risco de escalada
Este não é o primeiro episódio que gera preocupação em Varsóvia. Em 2022, um míssil ucraniano extraviado provocou duas mortes numa aldeia polaca, aumentando desde então a vigilância sobre a fronteira com a Bielorrússia.
O incidente com os drones surge na véspera dos exercícios militares “Zapad”, manobras conjuntas entre Rússia e Bielorrússia que motivaram já o fecho dos postos fronteiriços polacos.
Intensificação dos ataques russos
Na mesma noite, a força aérea ucraniana denunciou uma “severa andanada” de mísseis e drones russos contra várias regiões do centro e oeste da Ucrânia, de acordo com o HuffPost. O chefe da administração presidencial, Andrí Yermak, afirmou que Moscovo lançou “muitos mísseis”, em mais uma vaga de ataques que reforçam a instabilidade da região.
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