A União Europeia (UE) aprovou novas regras para detergentes e tensioativos que prometem tornar os produtos de limpeza mais seguros para as pessoas e mais sustentáveis para o ambiente, numa mudança que também vai trazer novas exigências para fabricantes, importadores e consumidores.
O novo Regulamento dos Detergentes reforça os critérios de biodegradabilidade, proíbe testes em animais e introduz mecanismos adicionais de controlo sobre os produtos colocados no mercado europeu. A aplicação prática das novas regras está prevista para o verão de 2029.
Segundo o portal da Comissão Europeia, a revisão pretende responder a preocupações ligadas à segurança, à redução de resíduos e à necessidade de modernizar a informação disponível sobre este tipo de produtos, hoje presentes em praticamente todas as casas.
Mais segurança e novas exigências
Entre as principais mudanças está o reforço das exigências de biodegradabilidade, sobretudo no caso de ingredientes orgânicos e películas usadas em cápsulas de lavagem. O objetivo é garantir que estes componentes se degradam mais facilmente no ambiente.
Outra novidade é a proibição de testes em animais no âmbito destas regras. A medida acompanha a crescente pressão para reduzir práticas consideradas desnecessárias e promover alternativas mais compatíveis com as normas de bem-estar animal.
Ao mesmo tempo, a UE quer apertar o controlo sobre os produtos importados. Os fabricantes de países fora da União Europeia passarão a ter de contar com um representante sediado em território europeu, responsável por assegurar que os detergentes cumprem as exigências em vigor.
Informação mais rápida em caso de acidente
As novas regras também procuram melhorar a resposta em situações de emergência. Antes de os produtos chegarem ao mercado, os centros antiveneno terão de receber informação atualizada sobre os respetivos ingredientes.
Na prática, isto poderá facilitar uma atuação mais rápida em casos de ingestão acidental ou contacto perigoso, sobretudo em ocorrências que envolvam crianças. A intenção é reforçar a segurança doméstica e tornar a resposta médica mais eficaz.
Esta obrigação aplica-se a detergentes e tensioativos, substâncias presentes em muitos produtos de limpeza e fundamentais para a sua ação de lavagem e remoção de sujidade.
QR code e passaporte digital do produto
Outra das alterações previstas é a criação de um passaporte digital do produto. Cada detergente ou tensioativo vendido aos consumidores deverá passar a disponibilizar informação acessível através de QR code ou ferramenta semelhante.
Esse passaporte digital deverá reunir dados normalizados sobre ingredientes, segurança e impacto ambiental. A medida pretende tornar a informação mais clara e mais acessível para quem compra.
A aposta na digitalização procura também acompanhar a evolução das regras europeias noutras áreas, onde cresce a exigência de transparência sobre aquilo que os consumidores usam no dia a dia.
Refill e soluções mais sustentáveis
O novo regulamento quer ainda dar impulso a alternativas consideradas mais ecológicas. Entre elas estão os sistemas de recarga de detergentes, que poderão ajudar a reduzir embalagens de plástico e a produção de resíduos.
A União Europeia pretende também facilitar o acesso ao mercado de soluções inovadoras, como alguns produtos de limpeza microbianos, desenvolvidos com recurso a bactérias benéficas. A ideia é abrir espaço a opções mais sustentáveis sem comprometer a segurança.
Estas mudanças enquadram-se numa estratégia mais ampla de redução da poluição e promoção de produtos com menor impacto ambiental, numa altura em que a pressão sobre a indústria química e sobre o consumo doméstico continua a aumentar.
Regras só avançam em 2029
Apesar de já terem sido aprovadas, as novas regras não serão aplicadas de imediato. A implementação completa está prevista apenas para o verão de 2029, o que dá às empresas cerca de três anos e meio para se adaptarem.
Esse período de transição deverá permitir ajustes na produção, na rotulagem, na distribuição e no cumprimento das novas obrigações técnicas e legais. Para os consumidores, o impacto mais visível deverá surgir mais perto da entrada em vigor.
Até lá, o setor terá de se preparar para uma mudança que poderá alterar a forma como os detergentes chegam ao mercado europeu, com mais controlo, mais transparência e maior foco na sustentabilidade.
Leia também: Já é oficial: UE vai proibir pagamentos em dinheiro acima deste valor a partir desta data
















