No próximo dia 18 de janeiro, Portugal vai às urnas para eleger o Presidente da República. Entre os milhões de eleitores chamados a votar estão milhares de pessoas com deficiência que, apesar de ainda enfrentarem dúvidas e obstáculos, têm direitos claros e protegidos no momento de exercer o voto. Apoio na mesa, acompanhamento por alguém de confiança e condições de acessibilidade não são favores — são garantias legais.
O voto é um direito fundamental e aplica-se a todos os cidadãos recenseados com mais de 18 anos, sem exceções. A lei eleitoral portuguesa não distingue eleitores em função da deficiência, assegurando igualdade plena no acesso ao ato eleitoral.
O que acontece na mesa de voto
No dia das eleições, as mesas de voto funcionam entre as 8h00 e as 19h00. O eleitor deve dirigir-se à sua secção com um documento de identificação válido. É ali, perante a mesa de voto, que muitas das dúvidas surgem — sobretudo quando o eleitor precisa de apoio para concretizar o voto.
Contrariamente ao que ainda é muitas vezes assumido, qualquer pessoa com deficiência pode votar com acompanhamento, sempre que tenha dificuldades em exercer o voto de forma autónoma. Basta informar a mesa de voto dessa necessidade.
Este apoio pode ser solicitado, por exemplo, quando existem dificuldades em marcar o boletim, identificar as opções, dobrar ou entregar o voto, ou mesmo aceder à cabine de voto. O acompanhamento deve ser feito por uma pessoa da confiança do eleitor e tem como único objetivo garantir que a vontade do votante é plenamente respeitada.
Acompanhamento não retira sigilo ao voto
Mesmo quando existe apoio, o voto continua a ser secreto. O acompanhante não substitui a escolha do eleitor, nem pode influenciar a decisão. A sua função é apenas facilitar o processo físico ou de compreensão, quando necessário.
Se a necessidade de apoio não for imediatamente evidente, a mesa de voto pode solicitar um documento que comprove essa necessidade, como um atestado médico ou outro comprovativo emitido por serviços de saúde. Cabe sempre à mesa garantir que todo o processo decorre com respeito, discrição e privacidade.
Acessibilidade ainda faz a diferença
Os locais de voto devem estar preparados para receber todos os eleitores. A acessibilidade física continua a ser um ponto crítico em muitas freguesias, mas existem orientações claras para que os espaços sejam adequados a pessoas com mobilidade reduzida ou outras necessidades específicas.
Entradas sem barreiras, percursos desobstruídos, mesas adaptadas e informação clara fazem parte das condições recomendadas. Quem tiver dúvidas sobre a acessibilidade do seu local de voto pode contactar previamente a junta de freguesia ou a câmara municipal.
Igualdade no voto é democracia a funcionar
A legislação eleitoral e as orientações em vigor são claras: ninguém pode ser impedido de votar por causa da sua deficiência. O direito ao voto não se esgota na existência de uma urna, mas na possibilidade real de cada cidadão exercer esse direito com dignidade, autonomia e segurança.
No dia 18 de janeiro, votar com apoio não é um privilégio — é uma expressão concreta de igualdade. Informar-se, exigir condições e exercer o direito de voto é também uma forma de participação ativa na democracia.
O voto conta. E conta para todos.
Sobre o autor: Nuno Miguel Neto é arquiteto de formação, mas tem dedicado a sua carreira ao impacto social, com enfoque na inclusão e nos direitos das pessoas com deficiência. Desde 2012, colabora com a APEXA – Associação de Apoio à Pessoa Excecional do Algarve –, liderando e apoiando projetos nas áreas da reabilitação, educação, capacitação e sensibilização comunitária. A sua abordagem combina pensamento estratégico com intervenção local, procurando sempre criar soluções que tenham um impacto real na vida das pessoas. Tem desenvolvido relatórios de impacto, coordenado iniciativas culturais inclusivas e promovido a participação cívica de grupos historicamente marginalizados. Acredita numa sociedade onde a diferença é reconhecida como valor e não como obstáculo. O seu trabalho reflete um compromisso constante com a justiça, a dignidade e a ação transformadora. Como hobbie principal surge o ilusionismo que aliado à área da inovação social dá origem ao projeto Magia com Impacto.
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