Entre os dias 16 e 18 de abril, estive em Berlim a representar Portugal na segunda Visita de Estudo da Plataforma da União Europeia para a Participação das Crianças. Durante três dias, juntei-me a 16 jovens de 11 países diferentes, com idades entre os 12 e os 17 anos.
Mais do que uma viagem, foi uma oportunidade para partilhar ideias, ouvir outras perspetivas e perceber como é que jovens de diferentes realidades veem o seu papel na Europa. Falámos sobre participação, direitos e, acima de tudo, sobre a importância de sermos ouvidos nas decisões que nos dizem respeito.
Ao longo da experiência, ficou claro que, apesar das diferenças culturais, há algo que nos une: a vontade de ter voz e de fazer parte das mudanças. Representar Portugal neste contexto fez-me perceber melhor a responsabilidade — e também o privilégio — de poder contribuir para esta conversa.
Regressei com novas ideias, mais confiança e a certeza de que a participação dos jovens não pode ser ignorada. Porque, no fundo, a Europa também é feita por nós.
Vivemos num tempo em que o bem-estar psicológico dos jovens é constantemente posto à prova, tanto no mundo digital como no físico. A sociedade tornou-se mais polarizada, mais agressiva e, muitas vezes, menos tolerante à diferença. No meio deste cenário, são as crianças e os jovens que mais sofrem — muitas vezes em silêncio.
Durante três dias intensos, vivi um verdadeiro espaço de diálogo político europeu. Através de dinâmicas de grupo, debates com especialistas e momentos de reflexão conjunta, foi possível discutir um tema que afeta diretamente todos os jovens, com pessoas de culturas, experiências e realidades muito distintas. Ainda assim, essa diversidade nunca fragilizou o debate — pelo contrário, tornou-o mais rico e mais completo. Dela emergiu uma ideia clara: apesar das diferenças, os desafios que enfrentamos são, em grande parte, comuns. E é precisamente aí que nasce a força da cooperação — na capacidade de transformar vozes individuais numa resposta coletiva.
Deste encontro resultaram quatro áreas estratégicas de intervenção: o apoio às famílias, o desenvolvimento da inteligência emocional, o combate ao estigma associado à saúde mental e a melhoria do acesso a terapias. Mais do que conclusões, levámos connosco uma vontade real de agir e contribuir para a mudança.
Representar Portugal neste contexto foi mais do que um privilégio — foi uma missão. Levei comigo a voz dos jovens portugueses e a certeza de que temos ideias, propostas e capacidade para fazer parte das decisões que moldam o nosso presente. Mais do que participar, senti que fui verdadeiramente ouvido — e isso faz toda a diferença. Mostra que estamos a caminhar para um modelo de decisão mais inclusivo, mais aberto e mais alinhado com a realidade.
No final, levo comigo uma convicção clara: os jovens não são apenas o futuro são uma força ativa no presente. Ignorá-los é adiar soluções. Incluí-los é acelerar mudanças. Se queremos políticas mais justas, mais eficazes e verdadeiramente representativas, então temos de garantir que a participação jovem deixa de ser simbólica e passa a ser transformadora. Porque, no fundo, é isto que significa fazer política: ouvir quem é diretamente afetado pelo problema.
I’d like to finish by thanking: German Federal Ministry for Education, Family Affairs, Senior Citizens, Women and Youth, SOS Children’s Villages, to the SOS Children’s Villages youth council; to the Ministry of Education and Research, Unicef, Romania; to the 3Lab III High School, Gdynia, Poland; to the Regional Ministry of Health in Andalusia, Unicef, Spain; to the Ministry of Health in Cyprus, Unicef; and most importantly to the CE, the child participation platform and all the other participants that made this weekend unforgettable.
Links da experiência:
EU Children’s Participation Platform e CNPDPCJ
Biografia do autor: David Correia, 17 anos, natural de Portimão (mas Alvoreiro de sangue). Jovem de 17 anos, natural do Algarve, que acredita num futuro mais justo e inclusivo. Motivado pelo desejo de mudança, está comprometido em trabalhar ativamente para construir uma sociedade melhor para todos. É o conselheiro do Algarve do CNCJ e é embaixador da 5 RIGHTS.”
Leia também: Prémio da União Europeia para a Literatura | Por Rafael Procopiak [em português e inglês]

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