Cresci num Portugal muito diferente daquele que conhecemos hoje. Recordo bem um país fechado, onde viajar para o estrangeiro era raro e onde a educação seguia moldes rígidos, sem grande contacto com o mundo exterior. Quando Portugal e Espanha aderiram à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, eu estava na minha adolescência e comecei a perceber como aquele momento histórico iria transformar profundamente a vida das gerações seguintes.
Antes da adesão, a ideia de estudar ou trabalhar fora do país parecia distante e difícil de concretizar. A livre circulação de pessoas, uma das maiores conquistas europeias, veio alterar essa realidade. Com o tempo, vi amigos e colegas aproveitarem novas oportunidades: estudar num país vizinho, fazer um intercâmbio académico ou até construir carreira além-fronteiras.
A geração seguinte, que nasceu já dentro da União Europeia, teve um percurso ainda mais livre e enriquecedor. Programas como Comenius, Erasmus e Erasmus+ tornaram-se experiências comuns para muitos jovens, dando-lhes oportunidades de desenvolver ideias e projetos inovadores, acesso a culturas e sistemas de ensino diferentes. Para mim, que cresci num ambiente mais fechado, foi fascinante ver como estas oportunidades alargaram horizontes e criaram uma mentalidade mais aberta e europeia.
A escola que conheci antes da entrada na CEE era muito distinta da que veio depois. O ensino era nacionalmente centrado, sem grande interação com outras realidades europeias. Com a adesão, começaram a surgir novas metodologias, materiais modernos e um incentivo à aprendizagem de línguas estrangeiras e a novas formas e comunicar e de nos relacionarmos com novas culturas. Começava uma Era fascinante à descoberta da Europa.
Mais tarde, enquanto professor, pude testemunhar a verdadeira revolução no ensino. Os alunos tornaram-se mais críticos, participativos e habituados à diversidade cultural. Com os intercâmbios escolares, começaram a encarar o mundo de forma diferente, criando laços que antes pareciam impossíveis. O Erasmus+, por exemplo, não só beneficiou estudantes, mas também docentes, permitindo a troca de experiências e a adaptação de novas formas de ensino e de aprendizagem dos alunos. Uma das mudanças mais profundas foi a forma como os jovens passaram a encarar o seu papel na sociedade. Quando era estudante, as decisões políticas pareciam distantes. Hoje, os alunos falam sobre políticas europeias, sustentabilidade e inovação com um envolvimento que antes não existia.
A participação em instituições europeias tornou-se acessível, permitindo que os jovens expressem opiniões e se envolvam em projetos que moldam o futuro da UE. Oportunidades como estágios, voluntariado europeu e participação ativa na democracia europeia passaram a fazer parte do percurso de muitos.
Quatro décadas depois da adesão à CEE, Portugal e Espanha mudaram profundamente. As oportunidades de estudo, trabalho e participação europeia tornaram-se parte essencial da vida das novas gerações. Para quem cresceu antes dessa mudança, como eu, foi extraordinário testemunhar essa evolução e ver os jovens usufruírem de uma liberdade que antes não existia. A educação e a mobilidade são hoje conquistas incontestáveis, moldando um futuro onde as barreiras são cada vez menores e as possibilidades infinitas.
Esta jornada de 40 anos provou que a Europa não é apenas um espaço económico e político, mas um projeto de integração e progresso que continua a transformar vidas.
Sobre o autor do artigo: António Viegas da Silva, de 58 anos e natural de Tavira, é professor de Economia e Contabilidade no Agrupamento de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia. Coordena o Clube Europeu AEJAC e os Projetos Erasmus. É licenciado em Gestão Financeira, Gestão e Administração Escolar e possui um mestrado em Gestão Ambiental e Intercultural das Escolas.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 visões da Europa: A experiência de participar no Erasmus+ é, sem dúvida, transformadora | Por João Cortes

O Europe Direct Algarve faz parte da Rede de Centros Europe Direct da Comissão Europeia. No Algarve está hospedado na CCDR Algarve – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
CONSULTE! INFORME-SE! PARTICIPE! Somos a A Europa na sua região!
Newsletter * Facebook * Twitter * Instagram
















