O 10 de Junho é um dia de identidade. Celebramos o país, a língua, as comunidades e o orgulho de sermos portugueses. Mas em 2025, esta celebração não pode ignorar o que se passa à nossa volta. O mundo mudou e a Europa, tantas vezes tida como certa, precisa hoje de ser reafirmada. Não com discursos de ocasião, mas com escolhas concretas.
A Europa está a ser posta à prova com guerras às suas portas, discursos populistas dentro das instituições, desinformação, intolerância, desconfiança nos partidos, nos parlamentos, um desacreditar na política em geral. A resposta não virá de cima para baixo, mas virá de quem, nas câmaras municipais, nas escolas, nas associações, nos partidos, nas universidades e nos bairros, decide ser parte ativa da democracia.
Para juntar à reflexão daquilo que deve ser a posição de Portugal na Comunidade Europeia, gosto de acreditar que não podemos ser apenas críticos, mas que podemos ambicionar contribuir para a construção de uma resposta conjunta, que esteja à altura dos desafios que enfrentamos atualmente. Desta forma, destaco 4 pontos que considero fundamentais, que nos permitirão celebrar este dia de Portugal, com esperança na Europa.
Combater a desinformação
Num tempo em que se partilham mentiras mais depressa do que se lê uma notícia, precisamos de educação crítica, jornalismo local com meios e literacia mediática desde cedo. Defender a verdade é defender a democracia.
Dar espaço aos jovens
Não basta pedir-lhes que votem: é preciso que participem, opinem e decidam. Portugal tem de abrir lugar para a juventude nos partidos, nas autarquias, nas estruturas de decisão. Não é um favor, é uma urgência democrática. É tempo de dar voz à geração mais qualificada de sempre.
Ser claro, objetivo e transparente na política internacional
Portugal deve manter uma voz coerente pela paz e pelos direitos humanos, condenando invasões e injustiças, nomeadamente da Ucrânia e de Gaza. Ser europeu também é não ter medo de tomar posição.
Cumprir o apelo de António Guterres: o apelo à cooperação
Mais do que competir uns com os outros, precisamos de soluções conjuntas. A Europa deve reforçar os laços entre Estados, Regiões, Universidades, Autarquias, Associações, Comerciantes, Cidadãos, que permitam um desenvolvimento harmonioso, para que todos possam, de forma efetiva, dar o seu contributo para tornar o mundo um lugar melhor para as gerações vindouras.
Mas a Europa não é só feita em Bruxelas. Faz-se em Portimão, em Lagos, em Faro, em Loulé. Faz-se nas Universidades onde se devem debater ideias, nos cafés onde se discute política, nas Assembleias Municipais onde se decide o essencial. Hoje, mais do que nunca, ser Europa é uma escolha diária. Ser cidadão europeu é querer saber mais, discutir melhor, agir com consciência. Não é um estatuto, é um compromisso com o futuro.
Neste 10 de Junho, Portugal celebra-se a si próprio. Mas que nunca o faça de costas voltadas para a Europa. Porque o nosso futuro depende da tomada de ação nas freguesias, nas associações, nas salas de aula, na nossa capacidade de sermos parte ativa de uma Europa democrática, justa e solidária.
Sobre o autor do artigo: Fábio Zacarias, natural de Portimão, foi presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve nos anos de 2022 e 2023. Representou a Universidade do Algarve no Governing Board e no Student Council da aliança europeia SEA-EU e foi, durante dois anos, representante dos estudantes do ensino superior na Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Atualmente, é diretor da Região do Algarve do GrupoPIE Portugal.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 Visões da Europa: uma história ainda a ser contada | Por Sebastião Manjua

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