Muitos condutores voltam a enfrentar uma decisão de risco com a chegada das festas populares e das celebrações de verão : pegar no carro depois de consumir álcool. É também nesta altura que regressam os alegados truques para tentar reduzir a taxa de alcoolemia ou evitar um resultado positivo num controlo.
Segundo o El Motor, site espanhol especializado em assuntos auto, a Guardia Civil espanhola tem alertado para estes mitos, que continuam a circular entre condutores. Beber água, tomar café, mascar pastilha elástica ou tentar disfarçar o hálito não reduz a presença de álcool no organismo. A única forma segura de não acusar álcool num teste é não conduzir depois de beber.
Água e café não eliminam o álcool
Um dos mitos mais repetidos é o de que beber muita água depois de consumir álcool ajuda o organismo a eliminar mais rapidamente a substância. A ideia parte do princípio de que, estando mais hidratado, o corpo processa melhor o álcool. No entanto, essa explicação não corresponde ao que acontece no organismo.
A água pode ajudar a aliviar alguns sintomas associados à ressaca e à desidratação, mas não reduz a quantidade de álcool presente no sangue. O mesmo acontece com o café. Uma pessoa pode sentir-se mais desperta depois de tomar café, mas isso não significa que esteja menos afetada pelo álcool nem que vá ter um resultado mais baixo no teste de alcoolemia.
Também as pastilhas elásticas, os rebuçados de menta ou os grãos de café não têm efeito na taxa de álcool. Podem alterar o cheiro do hálito, mas o alcoolímetro não mede o odor. O aparelho mede a concentração de álcool no ar expirado, que está ligada ao álcool já presente no organismo.
Correr, suar ou usar “truques” de respiração também não resulta
Há ainda quem acredite que correr, saltar ou suar acelera a eliminação do álcool. Outros defendem que beber leite ou tomar azeite antes de consumir bebidas alcoólicas cria uma espécie de barreira no estômago. A Guardia Civil recorda que nenhuma destas práticas tem base científica ou médica.
Entre os conselhos mais estranhos estão também chupar moedas de cobre, mascar erva ou tentar controlar a respiração durante o teste. Além de não funcionarem, algumas destas práticas podem ser perigosas para a saúde e dar ao condutor uma falsa sensação de segurança.
Depois de ingerida uma bebida alcoólica, o álcool começa a ser absorvido rapidamente pelo organismo. Em poucos minutos pode ser detetado no sangue e, normalmente, atinge os níveis máximos entre meia hora e hora e meia após o consumo. A partir daí, cabe ao fígado metabolizar e eliminar progressivamente o álcool.
O corpo precisa de tempo
O problema é que este processo não pode ser acelerado por gestos simples. Não importa a quantidade de café, água ou exercício físico: o organismo precisa de tempo para processar o álcool. Por isso, esperar apenas uma ou duas horas também não garante que o condutor esteja abaixo dos limites legais.
O tempo necessário depende de vários fatores, incluindo a quantidade de álcool ingerida, o peso, o metabolismo, o sexo, a alimentação e o intervalo entre bebidas. Mesmo quando a pessoa sente que “já está bem”, os reflexos, a atenção e a capacidade de decisão podem continuar afetados.
A Dirección General de Tráfico, em Espanha, tem lembrado que o álcool está entre os fatores de risco mais presentes nos acidentes rodoviários. Segundo os dados citados pelo El Motor, o álcool está associado a entre 30% e 50% dos acidentes mortais.
Trajetos curtos também têm risco
Durante festas locais, é comum surgir outro erro: pensar que uma viagem curta não representa perigo. Muitos condutores acreditam que, por terem apenas de percorrer poucos quilómetros até casa, conseguem controlar a situação.
A experiência mostra o contrário. Muitos acidentes relacionados com álcool acontecem perto do local de partida ou de chegada. A confiança excessiva, sobretudo em percursos familiares, pode levar a decisões perigosas.
Por isso, a recomendação das autoridades é simples: se bebeu, não conduza. A alternativa deve passar por chamar um táxi, usar transporte público, recorrer a um condutor que não tenha bebido ou deixar o carro estacionado.
A única taxa segura é zero
Estar abaixo do limite legal não significa estar livre de risco. O álcool pode afetar a condução mesmo em pequenas quantidades. Por isso, a regra mais segura continua a ser a mais simples: a única taxa realmente segura é 0,0.
Leia também: Muitos condutores desconhecem: quem abastece este combustível deve usar luvas na bomba















