Os furtos de componentes automóveis voltaram a aumentar em Portugal durante o primeiro semestre de 2026, com os catalisadores a destacarem-se entre os alvos preferenciais dos criminosos. A Guarda Nacional Republicana (GNR) alerta que o objetivo destes roubos não passa pela utilização das peças, mas sim pela extração de metais preciosos com elevado valor no mercado.
Segundo a agência de notícias Lusa, a GNR contabilizou 685 crimes relacionados com o furto de componentes de veículos entre janeiro e junho deste ano, o que representa um aumento de cerca de 19% em comparação com o mesmo período de 2025.
Catalisadores continuam na mira
Dos 685 crimes registados, 178 dizem respeito especificamente ao furto de catalisadores, um componente cuja procura por parte das redes criminosas continua a crescer.
A GNR explica que “contrariamente ao que possa parecer, os autores destes furtos não visam a reutilização ou venda da peça completa como componente automóvel de substituição”. O verdadeiro interesse está no interior do equipamento.
Metais preciosos explicam o fenómeno
No interior dos catalisadores encontram-se metais do grupo da platina, como o ródio, a platina e o paládio, utilizados na indústria e com elevada cotação internacional. Segundo a mesma fonte, a valorização destes materiais, aliada à sua escassez, tornou os catalisadores particularmente atrativos para redes organizadas dedicadas ao furto e posterior encaminhamento para circuitos ilegais de reciclagem e comercialização.
A rapidez com que os furtos são executados é outro dos fatores que preocupa as autoridades. A GNR refere que os criminosos utilizam, habitualmente, rebarbadoras portáteis alimentadas por bateria, capazes de remover um catalisador em menos de um minuto. Depois de retiradas, as peças são rapidamente encaminhadas para canais ilegais de recetação, dificultando a recuperação dos materiais.
Distritos mais afetados
Setúbal voltou a liderar o número de ocorrências registadas pela GNR, com 135 casos, seguindo-se o Porto, com 113, Lisboa, com 93, e Aveiro, com 59. Embora estes distritos concentrem o maior número absoluto de furtos, a publicação acrescenta que os aumentos percentuais mais expressivos ocorreram em Portalegre, Viseu e Leiria. Para a GNR, esta evolução “demonstra a elevada mobilidade geográfica das redes criminosas do litoral para o interior”.
Apesar do crescimento das ocorrências, o número de detenções diminuiu face ao ano anterior. Nos primeiros seis meses de 2026 foram detidas seis pessoas por furtos de acessórios ou peças de veículos motorizados, enquanto no período homólogo de 2025 tinham sido registadas oito detenções. Este desfasamento evidencia a dificuldade em identificar e intercetar os autores destes crimes. Perante o aumento dos furtos, a GNR aconselha os proprietários a adotarem medidas de prevenção, sobretudo quando estacionam durante longos períodos.
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