A Faixa de Gaza tornou-se palco de uma das mais graves crises humanitárias da última década. Até ao momento são 54 772 mortos, dos quais 17 861 são crianças. Em média são 250 vítimas mortais por dia e 100 delas crianças. Antes do conflito armado a esperança média de vida era de 75.5 anos, esta que caiu para 40.5 anos em apenas 12 meses. Crianças consumidas pela guerra, crianças que nada têm para comer, crianças que crescem entre a perda, a destruição e a fome.
Uma clara violação dos direitos humanos que passa despercebida pelos governos da União Europeia, e pelo próprio Conselho Europeu.
A ausência de sanções a Israel por parte da UE não ocorrem por mero acaso, existe uma grande dependência económica da nossa parte. Grandes grupos económicos de diversas áreas como a Tecnologia, a Indústria Farmacêutica e até a Cibersegurança fazem com que o produto europeu cresça, e é por esse motivo que ainda não tivemos nem sanções económicas nem um reconhecimento oficial do estado da Palestina.
Poderá a União Europeia continuar a autoproclamar-se pioneira dos direitos humanos se fecha os olhos ao sofrimento em Gaza para proteger os seus próprios interesses económicos?
Acredito que a resposta é simples, a União Europeia tem de seguir os valores pelos quais foi constituída. O espírito de união e de reconstrução de uma comunidade outrora destruída por uma grande guerra e o ouro sobre azul da nossa bandeira que remete à harmonia e à perfeição deste tão esperado sonho europeu.
Um genocídio é um genocídio independentemente do país que o comete, e assim como aplicamos sanções a países que invadem e oprimem outros povos, como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, devemos também aplicar sanções a Israel e a todos os países que financiem o massacre em curso.
Como cidadãos, temos o dever de não ser cúmplices do silêncio. Devemos exigir aos nossos dirigentes políticos uma posição clara, apoiar organizações humanitárias que tentam salvar milhares de vidas e combater a desinformação que nos é mostrada nas redes sociais.
Se a União Europeia quer ser mais do que uma união comercial, tem de voltar a ser uma união de valores. E cabe-nos a nós, cidadãos europeus, garantir que esses valores não são esquecidos.
Sobre o autor do artigo: Martim Gonçalves é estudante da Escola Secundária de Loulé, com interesse nas áreas da juventude, participação cívica e política portuguesa. Já participou em iniciativas como o Parlamento dos Jovens e os Conselheiros da Cidadania.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 visões da Europa: A entrada de Portugal no cenário europeu – O salto português | Por Ana Catarina Serra

O Europe Direct Algarve faz parte da Rede de Centros Europe Direct da Comissão Europeia. No Algarve está hospedado na CCDR Algarve – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
CONSULTE! INFORME-SE! PARTICIPE! Somos a A Europa na sua região!
Newsletter * Facebook * Twitter * Instagram
















