Um voo da Ryanair com destino a Tenerife, em Espanha, acabou por regressar ao aeroporto de origem após um episódio de forte turbulência em altitude, deixando vários passageiros com ferimentos ligeiros e chamando a atenção para um fenómeno atmosférico que, embora comum na aviação comercial, continua a gerar preocupação entre os viajantes e a exigir respostas rápidas das companhias aéreas.
O incidente ocorreu durante um voo que ligava Birmingham, no Reino Unido, às Canárias, em Espanha, tendo a aeronave emitido um código de emergência já sobre o espaço aéreo francês, numa fase em que seguia a altitude de cruzeiro, levando a tripulação a optar pelo regresso imediato para garantir a assistência médica necessária aos passageiros afetados.
O que aconteceu a bordo
De acordo com o jornal espanhol El Mundo, a turbulência foi sentida de forma súbita quando o avião se encontrava a cerca de 11.278 metros de altitude, num momento em que os comissários de bordo circulavam pelo corredor com os carrinhos de serviço, o que aumentou o risco de quedas e choques dentro da cabine.
Segundo a mesma fonte, vários passageiros sofreram ferimentos considerados ligeiros, situação que levou o comandante a inverter a rota e a regressar a Birmingham, onde a aeronave aterrou cerca de 50 minutos depois, permitindo a prestação de cuidados médicos ainda em solo.
A resposta da companhia aérea
Escreve o mesmo jornal que a Ryanair confirmou o regresso do voo FR1211 pouco depois da descolagem, justificando a decisão com as condições de turbulência sentidas a bordo e enquadrando a manobra nos procedimentos normais de segurança operacional.
A companhia acrescentou, conforme a mesma fonte, que todos os passageiros desembarcaram normalmente no aeroporto de Birmingham, tendo apenas um pequeno número necessitado de observação médica, e que o voo acabaria por retomar a ligação para Tenerife algumas horas mais tarde.
Por que ocorre a turbulência
De acordo com a revista Travel and Leisure, a turbulência resulta de movimentos instáveis na atmosfera, provocados por fatores como frentes de ar em altitude, cisalhamento de ventos ou a influência das correntes de jato, podendo manifestar-se mesmo em condições meteorológicas aparentemente calmas.
Bill Duncan, diretor associado de meteorologia da The Weather Company, explica à revista que a chamada turbulência de ar claro é especialmente difícil de prever, uma vez que ocorre sem a presença de nuvens e fora do alcance dos radares meteorológicos tradicionais utilizados na aviação.
O impacto das alterações climáticas
Investigadores da Universidade de Reading têm vindo a alertar para o aumento da frequência e intensidade deste tipo de turbulência, referindo que o aquecimento global está a intensificar o cisalhamento dos ventos nas correntes de jato, sobretudo no hemisfério norte.
Segundo a mesma fonte, estudos académicos indicam que a turbulência de ar claro aumentou significativamente desde o final da década de 1970, com dados mais recentes a apontarem para um crescimento superior a 50% até 2020, em linha com as projeções associadas às alterações climáticas.
O que fazer se estiver num voo com turbulência
De acordo com o site ligado ao turismo, De Férias, a principal medida de segurança para os passageiros passa por manter o cinto de segurança apertado durante todo o voo, mesmo quando o sinal luminoso está desligado, uma vez que a turbulência pode surgir de forma imprevisível.
A mesma fonte recomenda ainda que os passageiros sigam rigorosamente as instruções da tripulação, mantenham a bagagem bem acondicionada e evitem manusear líquidos quentes, sublinhando que, apesar do desconforto, a turbulência raramente representa um risco sério para a integridade da aeronave.
















