Os códigos QR tornaram-se uma forma habitual de pagar estacionamento, mas também podem ser aproveitados em esquemas de fraude. Um alerta recente vindo do Liechtenstein mostra como autocolantes falsos colocados em parquímetros podem encaminhar os utilizadores para páginas fraudulentas e tentar obter dados do cartão bancário.
Pagar o estacionamento através de um código QR é hoje uma solução comum em muitas cidades. Basta apontar a câmara do telemóvel, abrir a página indicada e concluir o pagamento. O problema surge quando alguém substitui ou cobre o código original por outro preparado para encaminhar a vítima para um site falso.
Segundo o Notícias ao Minuto, foi precisamente este tipo de esquema que levou as autoridades do Liechtenstein a emitir um alerta. Apesar de a ocorrência reportada não ser em Portugal, o método merece atenção, uma vez que também existem por cá parquímetros que recorrem a códigos QR para facilitar o pagamento.
Códigos falsos podem ser quase iguais aos originais
O esquema passa pela colocação de códigos QR fraudulentos sobre os códigos legítimos dos parquímetros. À primeira vista, os autocolantes podem parecer oficiais e ser suficientemente semelhantes aos originais para não levantar suspeitas. Quando o utilizador faz a leitura do código com o telemóvel, em vez de ser encaminhado para a plataforma verdadeira de pagamento, acaba por abrir uma página criada pelos burlões.
De acordo com a informação citada pelo Notícias ao Minuto, estes sites fraudulentos podem imitar o aspeto de páginas ou aplicações oficiais, aumentando a probabilidade de a vítima acreditar que está perante um serviço legítimo.
Burla procura obter dados do cartão bancário
Depois de entrar na página falsa, o utilizador pode ser convidado a introduzir informações necessárias, supostamente, para pagar o estacionamento. Entre os dados pedidos podem estar o número do cartão de crédito e elementos associados à autenticação de dois fatores. Caso a vítima forneça essas informações, os criminosos podem ficar com dados suficientes para tentar realizar operações através do cartão.
No Liechtenstein, a polícia pediu aos cidadãos que comuniquem às autoridades sempre que encontrem códigos QR que pareçam ter sido adulterados ou colocados de forma suspeita nos parquímetros. O Notícias ao Minuto refere ainda que foi solicitado esclarecimento à PSP para perceber se existem ocorrências semelhantes já registadas em Portugal.
Como perceber se o código QR é seguro?
Uma das primeiras precauções passa por observar o próprio parquímetro antes de fazer a leitura. Se o código QR estiver num autocolante que parece ter sido colocado por cima de outro, estiver mal alinhado ou apresentar sinais de manipulação, é aconselhável não o utilizar.
Depois de ler o código, deve também verificar o endereço da página para a qual foi encaminhado antes de introduzir qualquer dado pessoal ou bancário. Pequenas alterações no nome de um domínio podem ser utilizadas para fazer uma página falsa parecer legítima. A aparência do site, por si só, também não garante que seja verdadeiro. Os autores deste tipo de fraude podem reproduzir cores, logótipos e outros elementos visuais de páginas oficiais.
Aplicações oficiais são uma alternativa
Sempre que existam dúvidas sobre o código colocado num parquímetro, o pagamento pode ser realizado através de outros meios disponibilizados pelo operador. Uma opção passa por recorrer diretamente a aplicações oficiais ou serviços de pagamento conhecidos, em vez de aceder à plataforma através de um código encontrado na máquina.
Em Portugal, dependendo do local, existem soluções digitais próprias dos operadores e serviços como a Via Verde. Nos equipamentos que continuem a aceitar esse método, também é possível optar pelo pagamento tradicional com moedas. O princípio é simples: se o código QR ou a página aberta no telemóvel suscitar alguma dúvida, não devem ser introduzidos dados do cartão, códigos de autenticação ou outras informações sensíveis.
Atenção aos pedidos de autenticação
Um dos sinais que merece particular cuidado é o pedido de informação bancária acompanhado por procedimentos de autenticação pouco habituais. Caso uma página aberta através de um QR peça dados que normalmente não seriam necessários para pagar alguns minutos ou horas de estacionamento, o utilizador deve interromper a operação e confirmar qual é o canal oficial do serviço.
Também não deve aprovar notificações bancárias ou códigos de autenticação sem verificar previamente qual a operação que está efetivamente a autorizar. Embora o alerta conhecido tenha origem no Liechtenstein, o método mostra como uma ferramenta tão comum como um código QR pode ser utilizada para disfarçar uma tentativa de fraude. Observar o autocolante, confirmar o endereço aberto no telemóvel e privilegiar plataformas oficiais são alguns dos cuidados que podem reduzir o risco.
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