Aos 65 anos, Fabienne, uma reformada francesa, encontrou uma forma de complementar a pensão com uma atividade que lhe rende entre 800 e 1.500 euros por mês: transportar veículos de um ponto A para um ponto B, escolhendo as missões e os horários numa plataforma de transporte automóvel.
A história, divulgada pelo jornal espanhol AS, começa com uma reforma antecipada: Fabienne diz ter sido enviada para a reforma aos 58 anos e, apesar disso, sentia-se em condições de continuar a trabalhar.
Sem se rever nas propostas que lhe surgiam, mais longe de casa e com salário mínimo, decidiu mudar de área. O objetivo era encontrar algo viável, com maior autonomia e compatível com a rotina numa zona entre Sablé-sur-Sarthe e Angers.
De técnica de farmácia a condutora por missão
Fabienne trabalhava como técnica de farmácia, mas diz que sempre gostou de conduzir e se sentia atraída por carros. Essa afinidade ajudou-a a encarar a mudança como uma oportunidade, e não apenas como um “plano B”.
Foi através do companheiro, já motorista na Hiflow, que conheceu o modelo de trabalho por missões: entregas de veículos com hora marcada e destino definido, normalmente para clientes finais.
Na prática, passou a organizar o trabalho como microempresária: escolhe os serviços disponíveis, planeia rotas, estima custos e gere as deslocações de forma autónoma, com uma rotina centrada em viagens.
Quilómetros, números e escolhas para manter o controlo
Em 2025, terá realizado 180 viagens e percorrido cerca de 37.200 quilómetros em França, segundo os dados partilhados na mesma notícia. Os trajetos diários podem variar entre 200 e 400 quilómetros em dias úteis.
A par da condução, há um “lado invisível” no esforço: o regresso muitas vezes é feito de comboio ou em boleia partilhada, o que obriga a encaixar horários e a pensar bem na logística de cada missão.
Há também escolhas estratégicas: Fabienne diz preferir permanecer no “Grande Oeste” francês e evitar entregas de carros urbanos, ajustando o tipo de trabalho ao que considera mais confortável e eficiente.
O que entra na conta e o que fica no bolso
Quanto aos ganhos, aponta um intervalo de 800 a 1.500 euros por mês, mas com uma ressalva importante: há despesas a descontar, como combustível, portagens e, em algumas situações, alojamento.
A própria plataforma refere que o valor médio mensal dos condutores ronda os 500 euros, já líquidos de despesas, com cerca de seis entregas, sugerindo que os resultados podem variar muito consoante a disponibilidade, as rotas escolhidas e a capacidade de encaixar missões.
Esse detalhe é decisivo para perceber o caso: não se trata de “dinheiro fácil”, mas de um modelo de rendimento adicional que exige tempo, resistência a longas viagens, planeamento e controlo rigoroso de custos.
Obrigações fiscais e um fenómeno que cresce
Outra nota sublinhada é a fiscalidade: por funcionar como microempresa, estes rendimentos devem ser declarados e implicam obrigações associadas ao estatuto, o que pode mudar a conta final para quem pondera seguir o mesmo caminho.
Segundo o AS, o exemplo de Fabienne reflete uma tendência mais ampla: reformas cada vez mais longas, procura de rendimento complementar e modelos de trabalho flexíveis, muitas vezes suportados por plataformas, que atraem pessoas com disponibilidade e vontade de manter atividade.
No caso desta reformada, a motivação parece clara: além do reforço financeiro, valoriza a autonomia e a sensação de controlo sobre o tempo. “O que me encanta é a liberdade: escolho as minhas missões e os meus horários”, resume.
















