A escalada de tensão entre a Rússia e a NATO voltou a alimentar receios de um conflito de grandes dimensões na Europa e, segundo ameaças feitas em televisão estatal russa, os primeiros países que poderiam ser atacados em caso da guerra escalar seriam o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Áustria, com referências diretas às capitais Londres, Berlim, Paris e Viena.
As declarações foram feitas por Vladimir Solovyov, apresentador russo considerado próximo do Kremlin, que afirmou em direto que, num cenário de nova guerra mundial, estes quatro países estariam na linha da frente de um eventual ataque russo. Portugal não foi mencionado em momento algum como alvo direto.
Tensão crescente entre Moscovo e a NATO
Segundo o jornal La Razón, o agravamento do clima de instabilidade está diretamente ligado à guerra na Ucrânia, ao reforço militar dos países que fazem fronteira com a Rússia e à presença crescente da NATO no leste europeu. A deteção de submarinos russos perto das ilhas britânicas e o aumento de exercícios militares aliados têm contribuído para a deterioração das relações entre Moscovo e o bloco ocidental.
Na semana passada, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, alertou para a gravidade da situação, afirmando que a tensão é real e que a Aliança Atlântica poderá tornar-se o “próximo objetivo da Rússia”.
Alerta feito a partir de Berlim
Num discurso em Berlim, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, Mark Rutte sublinhou que os países aliados devem preparar-se para um conflito que poderá ter “a mesma magnitude da guerra que os nossos avós e bisavós viveram”.
O responsável máximo da NATO defendeu um reforço da capacidade de dissuasão para evitar um alargamento do conflito, refere a mesma fonte.
Países do leste pedem resposta urgente
O alerta foi reforçado esta semana em Helsínquia, onde os líderes de oito países do leste da União Europeia, mais próximos geograficamente da Rússia, classificaram Moscovo como a ameaça “mais significativa, direta e duradoura” à segurança europeia. Os responsáveis defenderam uma ação urgente e coordenada para reforçar a defesa do continente.
Ameaças explícitas em televisão russa
Foi neste contexto que Vladimir Solovyov lançou ameaças diretas em televisão, criticando a presença de forças armadas britânicas na Ucrânia. O comentador afirmou que essa presença constitui um “casus belli” que poderia justificar um ataque nuclear contra o Reino Unido.
De acordo com a mesma fonte, na mesma intervenção, identificou quatro capitais europeias como alvos prioritários: Londres, Berlim, Paris e Viena, associando-as respetivamente ao Reino Unido, Alemanha, França e Áustria.
“Situação limite”, segundo Solovyov
Durante o programa noturno, Solovyov afirmou que a situação é “limite” e que “um ataque nuclear contra a Grã-Bretanha é inevitável”. Acrescentou ainda que a Rússia teria de “entrar novamente em Berlim”, “entrar em Paris” e “libertar Viena”, numa retórica que recorda episódios históricos da Segunda Guerra Mundial.
Tentativa de relativizar o discurso
Apesar do tom agressivo, Solovyov procurou relativizar as declarações, afirmando que “não significa que nós queiramos isto”. Ainda assim, invocou um princípio atribuído ao presidente russo, segundo o qual a Rússia age quando se vê obrigada, mesmo depois de tentar evitar danos.
Caso britânico agrava tensão diplomática
Segundo o La Razón, as ameaças surgiram poucos dias depois de o Ministério da Defesa britânico ter confirmado a morte de um paraquedista de 28 anos na Ucrânia, longe da linha da frente, enquanto observava exercícios defensivos das forças ucranianas.
O historiador Andrey Sidorov, também próximo do Kremlin, afirmou no mesmo programa que o incidente deveria ser considerado um “casus belli”, defendendo que a presença oficial de militares britânicos em território ucraniano justifica uma resposta russa.
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