A colocação à venda de um elemento pertencente a uma igreja histórica espanhola através de uma plataforma digital levantou questões legais e patrimoniais, após o caso se ter tornado público nas redes sociais. Em causa está a tentativa de venda das portas de um templo do século XVI, numa pequena localidade da província de Valladolid, em Espanha, num episódio que mobilizou autoridades locais e a hierarquia da Igreja.
O anúncio, publicado num conhecido site de compra e venda online, oferecia as portas da igreja por 390 euros e descrevia-as como um exemplar barroco com origem no século XVI. A situação ganhou visibilidade depois de ter sido denunciada por uma residente da região, desencadeando uma rápida reação institucional.
A venda dizia respeito à igreja de Ventosa de la Cuesta, uma aldeia com cerca de 110 habitantes, onde o templo assume particular relevância histórica. Para além do valor artístico das portas, o edifício está associado à memória do escultor Alonso Berruguete, cuja eventual sepultura no local foi alvo de investigações recentes.
A divulgação do caso levou à remoção do anúncio e à abertura de uma avaliação técnica por parte da Arquidiocese, que procura agora enquadrar legalmente o destino do bem patrimonial.
Um anúncio que despertou alertas
De acordo com o portal de notícias Religión Digital, o anúncio identificava claramente a porta como pertencente à igreja local, referindo a sua antiguidade e estilo artístico, o que levantou suspeitas imediatas quanto à legitimidade da venda de um bem associado a uma instituição religiosa.
Segundo a mesma fonte, o anúncio especificava que a porta fazia parte do edifício onde se acredita estarem os restos mortais de Alonso Berruguete, escultor renascentista de referência em Espanha, o que acrescentou uma dimensão patrimonial sensível ao caso.
Denúncia partiu da comunidade
A situação tornou-se pública depois de Malena Alonso, residente na localidade, ter recebido o anúncio e decidido confirmar a sua autenticidade junto da presidente da câmara municipal. A autarca, Maria Luisa Escalante, confirmou a veracidade da informação, mas recusou fazer comentários adicionais, classificando o episódio como um “tema paroquial muito delicado”, refere a mesma fonte.
Conforme a mesma fonte, o anúncio foi denunciado à plataforma Wallapop, que acabou por removê-lo, uma vez que a política do site proíbe a venda de bens pertencentes a instituições públicas ou religiosas, considerando-a uma forma de apropriação indevida.
Resposta da Igreja e os próximos passos
Após a divulgação do caso, a arquidiocese tomou conhecimento da situação e pediu serenidade, explicando que o Delegado do Património, Juan Carlos Álvarez, visitou a paróquia para realizar uma primeira inspeção técnica, segundo o portal Religión Digital.
A mesma fonte refere que foi encomendado um relatório para avaliar o estado de conservação das portas e definir a solução “mais correta”, sublinhando ainda que a Delegação do Património está disponível para apoiar os párocos na gestão e conservação dos bens sob sua responsabilidade.
















