O Governo de Espanha aprovou um novo aumento do salário mínimo nacional, que sobe 37 euros por mês e continuará isento de imposto sobre o rendimento singular, equivalente ao IRS em Portugal. A decisão produz efeitos retroativos a janeiro de 2026 e será formalizada em Conselho de Ministros, sem necessidade de aprovação parlamentar. O novo valor passa para os 1.221 euros mensais pagos 14 vezes por ano.
A atualização resulta de um acordo com as centrais sindicais e insere-se na estratégia do executivo liderado por Pedro Sánchez de fixar o salário mínimo em 60% do salário médio do país, meta que tem orientado as revisões desde 2018.
A decisão e o novo valor
De acordo com a agência de notícias Lusa, o aumento do salário mínimo é uma prerrogativa do Governo espanhol, após consulta aos parceiros sociais, não sendo exigido consenso entre sindicatos e associações patronais.
Segundo a mesma fonte, o valor atualizado mantém a isenção de imposto sobre o rendimento singular, garantindo que os trabalhadores abrangidos não pagam este tributo sobre o montante do salário mínimo.
Patrões discordam, sindicatos assinam
Escreve a agência noticiosa que as associações patronais se manifestaram contra a subida agora formalizada, criticando os termos do acordo e a forma como decorreram as negociações. Os representantes empresariais têm alertado para o impacto acumulado dos sucessivos aumentos desde 2018, sublinhando efeitos nas pequenas e médias empresas.
Desde a chegada ao poder de uma coligação de esquerda liderada por Pedro Sánchez, em 2018, o salário mínimo em Espanha aumentou 66%, partindo dos 735,6 euros registados nesse ano. Refere a mesma fonte que o objetivo assumido pelo Governo foi aproximar o salário mínimo de 60% do salário médio nacional, alinhando-o com recomendações internacionais sobre rendimentos mínimos.
Argumentos do Governo
Na assinatura do acordo com os sindicatos CCOO e UGT, em Madrid, Pedro Sánchez afirmou que estas atualizações representam uma questão de “justiça social, dignificação do trabalho” e também de “inteligência económica”.
Conforme a mesma fonte, o primeiro-ministro sustentou que o crescimento da economia espanhola, acima da média europeia e de grandes países da União, contraria “os vaticínios de desastre” associados a aumentos desta dimensão.
Impacto no emprego e na desigualdade
Cerca de 2,5 milhões de pessoas recebem o salário mínimo em Espanha, a maioria mulheres empregadas no setor dos serviços, segundo dados citados pela agência de notícias.
No final de 2025, o número de pessoas com trabalho ascendia a 22.463.300, o valor mais elevado de sempre no país, enquanto a taxa de desemprego caiu para 9,93% no último trimestre do ano, ficando abaixo dos 10% pela primeira vez desde o início de 2008.
Espanha no contexto europeu
A economia espanhola cresceu 2,8% no último ano. Ainda assim, Espanha continua a ter a segunda taxa de desemprego mais elevada da União Europeia, atrás da Finlândia, de acordo com os dados oficiais europeus mais recentes.
Segundo o Eurostat, citado pela Lusa, o salário mínimo na União Europeia varia entre 2.704 euros no Luxemburgo e 620 euros na Bulgária. Em Portugal, o valor está fixado nos 920 euros pagos 14 vezes por ano, o que corresponde a 1.073 euros quando distribuído por 12 meses para efeitos estatísticos.
















