Perante a entrada em massa de migrantes em Ceuta, a Polícia Marítima e a Marinha reforçaram o controlo da fronteira marítima ao longo do Algarve, enquanto o Governo espanhol acusou alguns Estados-membros da União Europeia de adotarem uma reação “egoísta, polarizadora e ilegal”, segundo avança o Jornal de Notícias (JN).
Numa carta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e ao primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, Pedro Sánchez manifestou “profunda preocupação” com a posição assumida por alguns governos europeus perante a entrada irregular de milhares de migrantes no território espanhol situado no norte de África.
Portugal reforça patrulhas na costa algarvia
A Polícia Marítima e a Marinha portuguesas intensificaram as patrulhas diárias por mar e por terra ao longo da orla costeira do Algarve, na sequência da chegada de migrantes provenientes de Marrocos a Ceuta.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afastou a possibilidade de suspender as regras do Espaço Schengen devido à crise migratória, defendendo antes um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.
O chefe do Governo considerou que a prioridade deve passar pela aplicação e pelo reforço dos mecanismos de controlo previstos no Pacto Europeu para as Migrações e Asilo, rejeitando medidas mais severas defendidas por alguns governos europeus.
Itália anunciou, entretanto, a reposição temporária de controlos sobre passageiros provenientes de Espanha nos portos e aeroportos, enquanto França reforçou o dispositivo policial junto à fronteira franco-espanhola.
Sánchez diz ter retomado controlo em menos de 48 horas
Na carta enviada aos responsáveis europeus, Pedro Sánchez afirmou que o Governo espanhol conseguiu restabelecer a situação em menos de dois dias.
“Em menos de 48 horas, o meu Governo conseguiu restabelecer totalmente o controlo da fronteira, prestar ampla assistência humanitária, repatriar praticamente todos os migrantes que a atravessaram irregularmente e impedir qualquer deslocação não autorizada em direção à Europa continental”, escreveu.
O presidente do Governo espanhol acrescentou que a operação foi realizada em coordenação com as autoridades marroquinas, mas com “muito pouco apoio de outros Estados-membros”.
Apesar de reconhecer que a maioria dos países demonstrou solidariedade, Sánchez criticou os governos que atacaram Espanha e exigiram a sua exclusão temporária do Espaço Schengen.
Na sua perspetiva, estas posições são motivadas por “preconceitos, notícias falsas, ignorância ou interesses políticos” e contrariam o direito europeu, as normas humanitárias e os princípios de solidariedade entre os Estados-membros.
“No atual contexto internacional, a União Europeia não se pode dar ao luxo de adotar este tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”, vincou Pedro Sánchez.
Espanha pediu ainda à presidência irlandesa do Conselho da União Europeia que convoque, com caráter de urgência, uma videoconferência extraordinária dos ministros responsáveis pela Administração Interna.
Autoridades estimam até 60 mil entradas
A cidade autónoma de Ceuta registou, desde quinta-feira, uma entrada em massa de migrantes provenientes de Marrocos.
As autoridades locais estimaram a chegada de cerca de 60 mil pessoas, enquanto o Governo espanhol contabilizou aproximadamente 50 mil entradas.
Até às 18:00 de sexta-feira, hora local, pelo menos 48.300 migrantes tinham regressado voluntariamente a Marrocos, de acordo com o Ministério da Administração Interna espanhol.
Pelo menos 57 pessoas morreram ao tentarem alcançar Ceuta a nado, indicava o balanço citado pelo JN.
Com cerca de 80 mil habitantes, Ceuta situa-se no extremo norte de Marrocos, junto ao estreito de Gibraltar, e constitui, juntamente com Melilla, uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa.
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