Bruxelas prepara uma nova regra para a sua principal zona pedonal no centro (“Le Piétonnier”): a partir de 2026, bicicletas e trotinetas só poderão circular ali entre as 04:00 e as 11:00, fora desse horário, quem atravessar terá de ir a pé, empurrando o veículo, sob risco de coima. A decisão, justificada com segurança e conflitos com peões, está a ser contestada por associações de ciclistas, que alertam para desvios mais perigosos em ruas com tráfego automóvel.
A área em causa é o “Le Piétonnier”, um corredor pedonal no coração da capital belga, criado no âmbito da expansão da zona pedonal em 2015 e apresentado como um espaço mais verde e “vivível” no centro.
Segundo a informação avançada pelo jornal espanhol AS, citando a imprensa belga, o plano prevê que, durante a maior parte do dia, a circulação de veículos de duas rodas (bicicletas e trotinetas) deixe de ser permitida em Bruxelas, mantendo-se apenas uma janela matinal para passagem em andamento.
A regra das 04:00 às 11:00 e o objetivo da câmara
A proposta surge após um aumento de queixas relacionadas com a convivência entre peões e utilizadores de duas rodas no eixo pedonal, sobretudo em períodos de maior afluência.
A vereadora responsável pelo dossiê da mobilidade e planeamento urbano, Anaïs Maes, tem apontado para o problema do incumprimento do limite de velocidade existente no local, referido como 6 km/h, e para a necessidade de proteger utilizadores mais vulneráveis.
A medida, segundo a mesma responsável, pretende reduzir situações de conflito e aumentar a sensação de segurança de quem circula a pé, incluindo idosos, famílias com crianças e pessoas com mobilidade reduzida.
“Perigoso e absurdo”: as críticas de ciclistas e segurança rodoviária
Do lado das organizações de ciclistas e de alguns grupos de segurança rodoviária, a contestação tem sido dura, com críticas centradas nas rotas alternativas sugeridas para contornar o “Piétonnier”.
O argumento principal é que os desvios empurrariam mais pessoas para ruas paralelas com tráfego intenso e pontos críticos (como cruzamentos, ângulos mortos e mistura com autocarros e carros), sem infraestrutura ciclável adequada.
Há também quem defenda que a restrição no eixo pedonal deveria ser acompanhada, antes de mais, por investimento e desenho urbano que garanta ligações seguras para bicicletas no centro, para evitar transferir o risco para outras vias.
Porque não criar uma via dedicada dentro da zona pedonal?
Uma das hipóteses debatidas, criar uma faixa ciclável dedicada dentro do “Piétonnier”, é precisamente uma das soluções que a autarquia diz não querer seguir, por considerar que poderia incentivar velocidades mais elevadas e manter o potencial de conflito com peões a atravessar.
O tema não é novo em Bruxelas, já em 2025 tinha sido noticiado que, a partir de janeiro de 2026, bicicletas e trotinetas seriam banidas da zona pedonal em grande parte do dia, após tentativas de regulação (incluindo o limite de velocidade) consideradas pouco eficazes.
O que falta saber: calendário final e como será aplicado
De acordo com o AS, e apesar da intenção política, os detalhes operacionais, incluindo a data exata de entrada em vigor, fiscalização e eventuais ajustamentos ao traçado/atravessamentos permitidos — continuam em discussão, de acordo com relatos de imprensa.
Para já, o debate expõe um dilema comum nas cidades europeias: como conciliar espaços pedonais cada vez mais procurados com a mobilidade suave, sem transformar a segurança de uns num risco acrescido para outros.
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