A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) recebeu como uma “boa notícia” o anúncio de uma nova sede em Faro, mas espera que a solução corresponda às suas necessidades.
Instalada provisoriamente na Fábrica da Cerveja desde 2014, a associação aguarda a aprovação municipal de uma alternativa para o que descreve como “12 anos de urgência”.
“Para nós, é uma boa notícia, porque estamos num lugar que não tem condições e que sabíamos ser provisório desde que ali nos instalámos”, afirmou à Lusa a secretária da ARCM, Cláudia Sil, em 9 de setembro.
O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara de Faro, António Pina, durante o discurso do feriado municipal, em 7 de setembro. O autarca está a preparar uma proposta para arrendar um imóvel na Estrada do Passeio Ribeirinho, a sul da linha ferroviária e perto do Teatro das Figuras.
Nesse espaço, o município pretende criar o Margem Centro Cultural e Criativo, que acolherá a Associação de Músicos e outras associações. António Pina disse que o objetivo é proporcionar condições para “realizar eventos ou ter condições de trabalho” e “estabelecer sinergias que potenciem a atividade de todos”.
Fábrica da Cerveja tem problemas de segurança
A ARCM ocupa a Fábrica da Cerveja em regime de comodato desde 2014. O edifício, situado na malha do antigo castelo de Faro, encontra-se degradado e apresenta problemas de segurança. No discurso do feriado municipal, António Pina, eleito pelo PS, afirmou que o imóvel “não tem condições para acolher a ARCM nem qualquer outro evento com segurança” no seu interior. Sublinhou ainda que a autarquia não quer ser respon-
sável “por nenhum incidente que possa ali acontecer”. Em maio, o presidente da Câmara tinha dito à Lusa que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil recomendara o encerramento do espaço “por falta de licenciamento”.
Na altura, foi criado o Movimento Pela Fábrica, que, perante rumores de venda do edifício a privados, defendeu a manutenção da antiga Fábrica da Cerveja “ao serviço da cultura”.
Associação pede salas de ensaio, formação e espetáculos
Cláudia Sil explicou que a associação conhece apenas a intenção anunciada pelo município, depois de duas reuniões com o atual executivo, eleito em outubro de 2025.
“Apresentámos as nossas necessidades e foi-nos sempre prometido que iriam estudar uma alternativa. Este anúncio não foi exatamente uma surpresa, mas por enquanto ainda não nos diz respeito, porque tem de ser aprovado pelos órgãos municipais. Esperamos que corresponda às nossas necessidades”, afirmou.
A ARCM pretende que a nova sede disponha de salas de ensaio para bandas, salas de formação para a escola de música moderna, que movimenta cerca de 100 alunos, e uma área de espetáculos com os espaços de apoio necessários.
A associação quer reforçar “a formação musical, a oferta musical e cultural de qualidade e a promoção e apoio à criação cultural”. Tem também a perspetiva de obter certificação como entidade formadora e candidatar-se a apoios da Direção-Geral das Artes, objetivos que, segundo a dirigente, são inexequíveis na atual sede.
“Aquela localização fica numa zona que já se sabe que vai ter uma lógica de promoção da cultura e de sinergias, junto ao Teatro das Figuras, e isso faz todo o sentido. Esperemos que seja tudo aprovado o mais rápido possível, porque para nós já são 12 anos de urgência”, concluiu Cláudia Sil.
A.Pinto / HDF
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