Perante os picos de procura registados no Algarve, a ministra da Saúde afirmou que os tempos de espera nas urgências estão “significativamente melhores” do que há dois anos, mas reconheceu que continuam a ocorrer demoras excessivas, sobretudo entre os doentes classificados como urgentes.
Ana Paula Martins falava aos jornalistas a 14 de agosto, durante uma visita ao Hospital de Faro, onde comparou a resposta atual do Serviço Nacional de Saúde com a verificada nos verões de 2023 e 2024.
“Este ano, em agosto, estamos melhor do que estivemos em 2024 e estamos significativamente melhor do que em 2023”, afirmou a governante. A ministra destacou que, ao contrário do que aconteceu nos dois anos anteriores, já não se verificam atualmente “situações de encerramento de serviços de urgência”.
Algarve pode voltar a enfrentar picos de procura
A melhoria resulta, de acordo com Ana Paula Martins, de várias medidas destinadas a reorganizar a resposta do SNS, entre as quais a referenciação prévia dos doentes e o encaminhamento dos casos não urgentes para os cuidados de saúde primários.
A governante admitiu, contudo, que os serviços continuam sujeitos a “picos de procura muito elevados”, identificando o Algarve como uma das regiões onde essa pressão se fez sentir e onde poderá “voltar a ocorrer”. Também foram registados períodos de procura elevada no Barreiro, Amadora, Sintra, Lisboa e Valdevez.
Ana Paula Martins recusou considerar aceitável que os utentes permaneçam várias horas à espera de atendimento, em particular quando a triagem lhes atribui uma prioridade urgente.
“Se me pergunta se nós podemos ficar satisfeitos que um utente esteja tantas horas, sobretudo quando é triado como urgente ou mesmo que seja pouco urgente, que esteja tanto tempo à espera, naturalmente que a resposta é não”, declarou.
Férias dos profissionais têm impacto nos serviços
A ministra esclareceu que os tempos de espera prolongados não resultam exclusivamente das férias dos profissionais de saúde, embora tenha reconhecido que a menor disponibilidade de médicos durante o verão condiciona o funcionamento dos serviços.
“Eles também merecem ter férias, precisam de ter férias alguma vez no ano”, afirmou. Ana Paula Martins apelou à compreensão dos utentes perante as dificuldades registadas, mas garantiu que o Governo não recuará no processo de reorganização das urgências.
“Estou convencida de que, passo a passo, conseguiremos ter melhores resultados”, disse.
Governo prepara urgências metropolitanas e regionais
A reorganização da rede está a ser coordenada pela Direção Executiva do SNS e passa pela revisão do sistema de referenciação dos doentes.
O processo deverá conduzir à criação de urgências metropolitanas e regionais e abranger também a governação clínica dos próprios serviços. “Reorganizar as urgências em Portugal é algo de que também há 30 anos se fala”, salientou a ministra.
Na sua perspetiva, a concentração nos serviços de urgência de situações que poderiam ser acompanhadas nos cuidados de saúde primários tem fragilizado o SNS e contribuído para o desgaste dos profissionais. Ana Paula Martins considerou que este é “um dos fatores que levam médicos a abandonar” o serviço público de saúde.
A governante reconheceu que a mudança exigirá alterações nas práticas e nos comportamentos da população e poderá demorar vários anos a produzir todos os resultados pretendidos.
Faro e Loulé pagam acessos ao novo hospital
Durante a deslocação ao Algarve, a ministra assistiu também à assinatura de uma adenda ao acordo de colaboração para as acessibilidades do futuro Hospital Central do Algarve, previsto para o Parque das Cidades e com conclusão apontada para 2031.
O acordo envolve a Administração Central do Sistema de Saúde, a Unidade Local de Saúde do Algarve e a Associação de Municípios de Loulé e Faro.
Ao abrigo da adenda, as câmaras de Faro e Loulé comprometem-se a assegurar um milhão de euros para a construção das infraestruturas de entrada e saída do hospital para a via pública.
O investimento municipal abrange ainda as ligações às redes de esgotos, água e eletricidade, ficando a restante componente financeira a cargo da administração central.
A.Pinto / HDF















