Perante os riscos identificados para vários hospitais públicos do Algarve e de Lisboa, a Ordem dos Médicos defendeu, a 12 de agosto, uma avaliação nacional da capacidade das unidades de saúde para continuarem a funcionar após sismos ou outras catástrofes.
A posição surge depois de um levantamento prospetivo de risco da FUNDEC, associação criada no Instituto Superior Técnico, ter concluído que vários hospitais públicos das duas regiões poderiam ficar inoperacionais e, consequentemente, sem capacidade para prestar assistência às vítimas de um sismo violento.
O estudo foi entregue ao Governo há quatro anos e divulgado em abril pela TVI e pelo jornal Sol.
Urgências e blocos operatórios têm de continuar ativos
A Ordem dos Médicos considera prioritário avaliar se as unidades hospitalares portuguesas conseguem manter em funcionamento serviços essenciais como urgências, cuidados intensivos e blocos operatórios durante e depois de uma catástrofe.
A análise deverá abranger também a disponibilidade de energia de emergência, comunicações, água, oxigénio, medicamentos e sangue, bem como os sistemas de informação e os circuitos destinados à evacuação de doentes, profissionais e visitantes.
“Portugal é um país com risco sísmico e deve garantir que os seus hospitais, enquanto infraestruturas críticas, permanecem capazes de cuidar precisamente quando a população mais precisa deles”, defendeu a Ordem.
Para a instituição, quando ocorre uma catástrofe, um hospital “não pode transformar-se em mais uma vítima”, devendo continuar a ser o local onde as populações encontram assistência.
“Preparar os nossos hospitais para continuarem a cuidar, mesmo nas circunstâncias mais adversas, é uma questão de segurança dos doentes e uma responsabilidade do Estado”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.
Avaliação deve identificar vulnerabilidades
A Ordem propõe que a avaliação nacional envolva as autoridades de saúde, a Proteção Civil, o Instituto Nacional de Emergência Médica, as administrações hospitalares, os profissionais de saúde e especialistas das áreas técnicas consideradas relevantes.
O trabalho deverá permitir “identificar vulnerabilidades, estabelecer prioridades de investimento e garantir planos efetivos de continuidade assistencial”.
A instituição defende ainda que os planos não devem permanecer apenas no papel, devendo ser testados através de exercícios periódicos em condições próximas das que seriam enfrentadas durante uma situação real.
Essas simulações deverão avaliar a articulação entre os hospitais, a emergência pré-hospitalar, os bombeiros, a Proteção Civil e as restantes entidades envolvidas numa operação de resposta a catástrofes.
Novo hospital de Lisboa também levantou dúvidas
Notícias divulgadas em abril indicaram igualmente que o novo Hospital de Lisboa Oriental, em construção em Marvila e destinado a substituir sete hospitais da zona central da capital, contará com isolamento sísmico de base em apenas um dos seus três edifícios.
A Ordem dos Médicos manifestou a sua posição num comunicado de solidariedade para com o povo colombiano, as vítimas e as respetivas famílias, na sequência de um sismo recente.
A estrutura profissional considera que acontecimentos desta natureza reforçam a necessidade de Portugal conhecer antecipadamente as fragilidades das suas unidades hospitalares e garantir que estas mantêm capacidade de resposta quando a procura de cuidados de saúde é mais elevada.
A.Pinto / HDF















