Figura fundadora do PSD Algarve, Mateus de Brito recordou, durante as comemorações dos 50 anos da Festa do Pontal, o trabalho realizado para criar uma estrutura partidária “sem bases nenhumas” e transformá-la numa das principais forças políticas da região e do país.
O antigo dirigente, hoje com 95 anos, foi o primeiro presidente da Comissão Política Distrital de Faro do PSD e participou, a 14 de agosto, na festa de verão dos sociais-democratas, realizada no Calçadão de Quarteira.
À entrada do recinto, uma exposição dedicada ao cinquentenário do Pontal incluiu uma fotografia de Mateus de Brito a discursar perante os participantes na edição de 1978.
Partido nasceu “sem bases nenhumas”
Natural de São Brás de Alportel, Mateus de Brito lembrou que a implantação do PSD no Algarve exigiu a criação de uma organização política praticamente a partir do zero.
O partido “foi um partido que nasceu sem bases nenhumas”, afirmou, acrescentando que o trabalho desenvolvido nos primeiros anos permitiu construir uma estrutura que viria a afirmar-se no sistema democrático português.
Na sua avaliação, o PSD “foi de tal maneira inteligentemente organizado, que hoje é um dos partidos de Governo”.
“E é, sobretudo, o partido dos melhores Governos que tivemos”, defendeu o antigo dirigente.
Mateus de Brito destacou, em particular, os dez anos em que Aníbal Cavaco Silva exerceu funções como primeiro-ministro, período durante o qual, sustentou, se realizou “cerca de 30%” do que foi feito ao longo de cinco décadas de democracia.
O antigo responsável partidário apontou como exemplos infraestruturas “como o Alqueva, as autoestradas, o Centro Cultural de Belém”, que classificou como “as maiores obras feitas” nos últimos 50 anos e associou à governação de Cavaco Silva.
Deixou os negócios para organizar a distrital
Engenheiro civil, Mateus de Brito mantinha escritórios em Londres e uma atividade profissional que descreveu como “intensíssima” quando começou a envolver-se na vida partidária. Inscreveu-se no PSD em Loulé e, ao regressar de uma deslocação ao estrangeiro, foi informado de que tinha sido eleito primeiro presidente da Comissão Política Distrital de Faro.
“Tivemos reunião e criei a primeira comissão política distrital, deixei os negócios. Depois, o Sá Carneiro convidou-me para almoçar e para pertencer à comissão política nacional e ao Governo sombra”, recordou.
Passados 50 anos, afirmou estar “satisfeito” com a evolução da formação política e continuar a depositar a sua “esperança no PSD”.
Defende que governos sejam avaliados no fim
Mateus de Brito considerou que os vencedores das eleições devem ter condições para executar os respetivos programas e ser avaliados no final dos mandatos. “Agora é preciso que os portugueses saibam fazer política, para fazer a Europa evoluir. Quem está no Governo vai fazendo o que tem a fazer, agora começarem a criticar a possibilidade de fazer o programa, não”, afirmou. O antigo dirigente dirigiu também críticas à imprensa e ao Chega, que classificou como “muito mau” para a democracia. “Eles dizem que as coisas estão mal, muitas vezes têm razão, mas contribuíram exatamente para isso, procuram arranjar as maiores embrulhadas para o Governo ficar atrapalhado”, lamentou.
Depois das declarações, Mateus de Brito entrou no recinto para participar em mais uma edição da Festa do Pontal, iniciativa que ajudou a acompanhar desde os primeiros anos do PSD no Algarve e que, em 2026, assinalou meio século de existência.
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