A diferença entre aquilo que homens e mulheres recebem depois da reforma continua a ser significativa no regime geral da Segurança Social. Os dados oficiais mais recentes disponíveis com este nível de detalhe mostram que, em dezembro de 2024, a pensão média de velhice dos homens atingia 786,17 euros por mês, enquanto entre as mulheres o valor ficava nos 452,09 euros.
São 334,08 euros de diferença mensal, segundo o Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social que acompanha o Orçamento do Estado para 2026. A média masculina encontrava-se cerca de 29% acima da média global das pensões de velhice, enquanto a feminina estava aproximadamente 26% abaixo. Os números referem-se às pensões pagas em dezembro de 2024 e não significam que todos os homens recebam 786 euros ou todas as mulheres 452 euros. Tratam-se de valores médios, que agregam pensões muito diferentes consoante salários, anos de descontos e percurso profissional de cada beneficiário.
Homens recebem, em média, mais 334 euros por mês
A diferença torna-se particularmente evidente quando os dois valores são colocados lado a lado. Em dezembro de 2024, a pensão média de velhice era de 786,17 euros para os homens e 452,09 euros para as mulheres. Isto significa que a média feminina correspondia a cerca de 58% da masculina.
A desigualdade não aparece apenas num determinado grupo etário. O relatório oficial refere que, em todos os escalões de idade analisados, as pensões de velhice dos homens apresentavam valores médios superiores às das mulheres. Por exemplo, entre os pensionistas dos 65 aos 69 anos, a média masculina chegava aos 844,54 euros, enquanto a feminina ficava nos 528,96 euros. Dos 70 aos 74 anos, os valores eram de 813,70 e 484,77 euros, respetivamente.
Segurança Social explica porque existe esta diferença
A própria análise oficial aponta uma explicação relacionada com aquilo que aconteceu antes da reforma. Segundo o relatório, a diferença nas pensões reflete a distribuição dos rendimentos do trabalho declarados à Segurança Social. Como o valor de uma pensão contributiva depende, entre outros fatores, das remunerações registadas e da duração da carreira contributiva, desigualdades existentes durante a vida profissional acabam por chegar também à reforma.
Historicamente, muitas mulheres tiveram salários inferiores, carreiras mais curtas ou períodos de interrupção relacionados, por exemplo, com responsabilidades familiares. Nas gerações mais velhas, estas diferenças foram particularmente acentuadas e acabam por ter consequências no montante calculado quando chega a idade da reforma. Não se trata, portanto, de a Segurança Social aplicar uma fórmula diferente consoante o sexo do pensionista. As regras de cálculo são as mesmas, mas partem das carreiras contributivas individuais.
Diferença também aparece entre quem chegou recentemente à reforma
A comparação mantém-se quando se olha exclusivamente para as novas pensões de velhice atribuídas em 2024. Nesse grupo, o valor médio global foi de 710,33 euros. Entre os homens que chegaram à reforma naquele ano, a nova pensão média atingiu 859,46 euros. Nas mulheres ficou nos 554,59 euros.
Neste caso, a diferença ronda os 305 euros por mês. Apesar de continuar elevada, é inferior à observada no conjunto de todos os pensionistas, o que pode ser um sinal da evolução das carreiras contributivas das gerações que agora chegam à reforma. O próprio relatório destaca que o valor médio das novas pensões aumentou 10,2% entre 2023 e 2024, evolução associada ao crescimento das remunerações e ao aumento do número de anos das carreiras contributivas dos novos pensionistas.
Novos reformados tendem a receber mais
Existe outra diferença importante nos dados. Considerando homens e mulheres em conjunto, a pensão média de velhice de todos os pensionistas era de 610,91 euros em dezembro de 2024. Já entre quem começou a receber uma nova pensão naquele ano, a média subia para 710,33 euros.
A diferença é de praticamente 100 euros mensais. A evolução torna-se ainda mais visível quando se recua dez anos. Em 2014, a pensão média de velhice era de 438,25 euros. Em 2024 chegou aos 610,91 euros. Entre as novas pensões, o valor médio passou de 518,83 para 710,33 euros no mesmo período.
E nas chamadas pensões estatutárias a diferença é ainda maior
O relatório apresenta também o valor da chamada pensão estatutária, isto é, o montante calculado com base nos anos de contribuições e na remuneração de referência. Neste indicador, a média masculina era de 615,74 euros, enquanto a feminina ficava nos 270,10 euros. A diferença ultrapassava, portanto, os 345 euros. Mais uma vez, o relatório assinala que os valores dos homens são superiores em todos os grupos etários e relaciona esta situação com os rendimentos declarados durante a carreira profissional.
Mulheres são maioria entre os pensionistas mais velhos
Os dados ajudam também a perceber outra característica da população reformada portuguesa. Entre os pensionistas com 80 ou mais anos, existiam em dezembro de 2024 cerca de 341 mil mulheres, contra aproximadamente 253 mil homens. Entre os 75 e os 79 anos, eram cerca de 212 mil mulheres e 200 mil homens.
A maior longevidade feminina contribui para que existam mais mulheres nos escalões etários mais elevados, precisamente aqueles onde se encontram muitas das carreiras profissionais iniciadas numa época em que a participação feminina no mercado de trabalho e os salários eram bastante diferentes dos atuais.
Isso ajuda também a explicar por que razão olhar apenas para a média global pode esconder diferenças significativas entre gerações.
Valores de 2026 já não são exatamente estes
Há uma ressalva importante: os 786,17 e 452,09 euros correspondem às médias observadas em dezembro de 2024. São os dados oficiais detalhados utilizados no mais recente Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social, mas não representam a média exata que está hoje a ser paga em 2026.
Desde então, as pensões foram atualizadas nos termos das regras anuais aplicáveis, e novos beneficiários entraram no sistema. Os números continuam, porém, a oferecer o retrato oficial mais recente desta diferença entre homens e mulheres e mostram que a desigualdade construída durante décadas de vida profissional não desaparece quando chega a reforma.
Para quem está atualmente no mercado de trabalho, a conclusão é também relevante: salários, períodos sem descontos e duração da carreira não influenciam apenas o rendimento disponível hoje. São elementos que podem ter efeitos durante muitos anos depois da saída da vida ativa.
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