A comparação entre produtos de marca branca e marca original tornou-se um tema central nas escolhas de consumo, sobretudo numa altura em que o preço pesa mais no orçamento familiar e o consumidor está mais atento ao que leva para casa. A ideia de que o barato sai caro continua presente, mas os hábitos mudaram e os dados mostram que a decisão já não é tão simples como escolher a marca mais conhecida.
Em Portugal, as marcas próprias dos supermercados ganharam um peso significativo ao longo dos últimos anos, deixando de ser vistas apenas como alternativas de emergência. Hoje, fazem parte da rotina de compra de muitos consumidores, incluindo aqueles que antes eram fiéis às marcas de fabricante.
As marcas de fabricante apostam sobretudo na notoriedade, na inovação e na construção de confiança ao longo do tempo. Investem em publicidade, investigação e desenvolvimento e procuram diferenciar-se pela consistência e pela identidade da marca.
Já as marcas brancas, também chamadas marcas próprias, são geridas diretamente pelos retalhistas. O seu objetivo passa por oferecer produtos competitivos, muitas vezes equivalentes aos das marcas conhecidas, mas com menos custos associados ao marketing e à distribuição, de acordo com a DECO PROTeste. O que muitos consumidores desconhecem é que, em vários casos, os produtos de marca branca são fabricados pelas mesmas unidades industriais que produzem marcas de fabricante, embora seguindo especificações diferentes.
Regras iguais para todos quando o produto chega à prateleira
Um ponto essencial nesta comparação prende-se com a legislação. Independentemente de ser uma marca famosa ou uma marca própria, qualquer produto colocado no mercado tem de cumprir regras rigorosas de segurança, rotulagem e qualidade.
No caso das marcas brancas, o retalhista assume a responsabilidade legal pelo produto. Isso implica controlo de fornecedores, testes de qualidade e auditorias regulares, tal como acontece com as marcas de fabricante. A ideia de que as marcas brancas escapam a controlos é, por isso, um mito.
A inflação mudou hábitos e acelerou escolhas
O aumento generalizado dos preços teve um impacto direto no comportamento dos consumidores. Com o custo de vida a subir, muitos passaram a experimentar marcas próprias em categorias onde antes não arriscavam. Esse primeiro contacto acabou, em muitos casos, por se transformar num hábito. Quando a diferença de preço é significativa e a qualidade percebida é semelhante, a mudança pode tornar-se natural e difícil de inverter.
Qualidade: o rótulo não conta tudo
A qualidade é um dos pontos mais sensíveis nesta discussão. Testes comparativos feitos ao longo dos últimos anos mostram que muitos produtos de marca branca apresentam resultados semelhantes ou até superiores aos das marcas de fabricante, sobretudo em áreas como alimentação básica, produtos de limpeza e higiene, de acordo com a mesma fonte.
Isto não significa que todas as marcas brancas sejam iguais ou que todas as marcas de fabricante sejam melhores. A principal conclusão é que o preço não é, por si só, um indicador fiável de qualidade.
Preço: onde está realmente a poupança
Em média, as marcas próprias continuam a ser mais baratas, mas a diferença varia bastante de produto para produto. Em alguns casos, promoções agressivas das marcas de fabricante reduzem ou até anulam essa vantagem.
Além disso, há situações em que o preço das marcas brancas também sobe de forma significativa, sobretudo em períodos de inflação. Ainda assim, para muitos consumidores, a poupança acumulada ao longo do mês continua a justificar a escolha.
Quando faz sentido optar pela marca original
Existem categorias em que a marca de fabricante mantém uma vantagem clara. Produtos com receitas muito específicas, sabores difíceis de replicar ou necessidades técnicas particulares podem justificar o preço mais elevado.
Também há um fator emocional que não deve ser ignorado. A confiança construída ao longo de anos, a familiaridade com o produto e a experiência consistente fazem parte da decisão de compra, especialmente para consumidores mais exigentes, de acordo com a mesma fonte.
Como comparar de forma prática no supermercado
Uma boa comparação começa pela leitura do rótulo. Verificar a lista de ingredientes, a informação nutricional e o preço por unidade pode ajudar a perceber se dois produtos são realmente comparáveis.
Outro ponto importante é evitar decisões automáticas. Nem a marca branca é sempre a melhor escolha, nem a marca original é sinónimo de desperdício. A análise deve ser feita produto a produto, tendo em conta o uso que se lhe vai dar, de acordo com a DECO PROTeste. Tudo indica que a convivência entre marcas brancas e marcas de fabricante continuará a marcar o mercado. O consumidor está mais informado, mais aberto a experimentar e menos fiel a um único tipo de marca.
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