Enquanto muitos países testam semanas de quatro dias e políticas laborais mais flexíveis, há uma empresa a remar no sentido oposto. A Greptile, startup americana de inteligência artificial, tem um CEO que defende jornadas de 80 horas por semana. Daksh Gupta não esconde o que exige: dias de 14 horas, fins de semana incluídos, e zero espaço para pausas ou equilíbrio pessoal.
“O dia começa às 9 h e termina às 23 h, muitas vezes mais tarde”, escreveu Gupta na rede social X (antigo Twitter). Aos sábados trabalha-se, e ao domingo também, “às vezes”.
A publicação não passou despercebida. Rapidamente se espalhou por fóruns e plataformas digitais, dando origem a críticas e reacendendo o debate sobre os limites do trabalho. De acordo com o site especializado em finanças e economia, Business Insider, Gupta admite que a sua empresa “não oferece equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, descrevendo o ambiente interno como sendo “de alto stress” e com “tolerância zero para baixo desempenho”.
Modelo extremo ou exigência moderna?
A ideia de que trabalhar mais horas resulta automaticamente em maior produtividade tem vindo a ser desmentida por vários estudos. A Organização Mundial da Saúde alerta que semanas com mais de 55 horas aumentam o risco de doenças cardíacas e outras complicações graves.
Em Espanha, segundo dados citados pela Forbes, cerca de 49% dos trabalhadores reportam níveis de stress laboral todos os dias. Os efeitos do burnout são cada vez mais reconhecidos: exaustão crónica, perda de motivação, distúrbios do sono e dificuldades de concentração são apenas alguns dos sinais.
Ainda assim, Gupta mantém a sua posição. Já em declarações anteriores havia defendido que o “sacrifício pessoal” é essencial para vingar num sector como o das startups tecnológicas. É uma filosofia de trabalho que muitos associam ao ecossistema do Vale do Silício, mas que começa a ser posta em causa, mesmo dentro das grandes empresas norte-americanas.
Europa segue por outro caminho
Na Europa, o movimento é outro. Vários países têm testado semanas de quatro dias, relatando melhorias tanto na produtividade como no bem-estar dos trabalhadores. Em Portugal, algumas empresas começam a explorar esse modelo, embora ainda de forma tímida e experimental.
Em Portugal, a legislação laboral continua a assentar numa semana de trabalho de 40 horas, embora existam cada vez mais vozes a defender a sua redução. A experiência-piloto da semana de quatro dias, promovida pelo Governo em parceria com entidades privadas, teve resultados positivos em várias empresas, com aumentos na satisfação dos trabalhadores e manutenção da produtividade.
Apesar disso, tal como refere o Business Insider, modelos como o defendido por Daksh Gupta continuam distantes da realidade nacional, onde o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é, pelo menos em teoria, um valor cada vez mais defendido tanto por empregadores como por trabalhadores.
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