A evolução dos preços da habitação nova na China continua em terreno negativo e atingiu, em setembro, o 28.º mês seguido de descidas. Os dados mais recentes das autoridades estatísticas chinesas revelam um abrandamento persistente no setor imobiliário, num momento em que o tema volta a destacar-se no debate público internacional.
De acordo com a agência de notícias Lusa, os números oficiais relativos a setembro mostram que o conjunto de 70 cidades avaliadas registou nova quebra nos preços das casas novas. A descida mensal, calculada a partir das estatísticas do Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, evidencia um ritmo mais intenso do que o observado no mês anterior, consolidando uma tendência que se prolonga sem interrupções há mais de dois anos.
Amostra vasta com sinais alinhados
Segundo a mesma fonte, a maioria das cidades incluídas na análise apresentou recuos no valor da habitação nova. O número de localidades em queda aumentou face ao mês anterior, enquanto os casos de subida se tornaram menos frequentes, mesmo entre grandes metrópoles.
Escreve a publicação que a habitação usada também seguiu a mesma direção. As contas realizadas a partir das estatísticas oficiais indicam que o mercado de segunda mão registou nova descida mensal, superior à verificada no período anterior.
Mercado onde quase não há exceções
No segmento da habitação usada, todas as cidades abrangidas registaram descidas no mês em análise, algo que contrasta com o que ainda acontecia nalguns meses anteriores, quando surgiam variações positivas isoladas.
Refere a mesma fonte que a ausência de movimentos de recuperação tem mantido o tema no centro das preocupações de Pequim, que acompanha de perto a evolução do mercado devido ao peso que a habitação tem no património das famílias.
Resposta das autoridades e impacto económico
De salientar que o governo chinês tem aprovado diversas medidas com o objetivo de travar a deterioração do setor, que vão desde alterações regulamentares a iniciativas destinadas a reforçar a confiança dos compradores. A habitação continua a ser vista como um bem central nas decisões económicas das famílias, o que amplia o efeito das oscilações do mercado.
Conforme a mesma fonte, vários analistas consideram que as dificuldades do imobiliário estão entre os fatores que mais têm contribuído para o abrandamento económico do país. As estimativas divulgadas para o peso total do setor, incluindo efeitos indiretos, sugerem que a atividade imobiliária representa perto de um terço do Produto Interno Bruto chinês.
Trajetória que levanta questões fora da China
Depois de quase dois anos e meio de descidas sucessivas, a trajetória do mercado chinês é acompanhada com atenção por observadores internacionais. A dimensão da economia chinesa e o papel do setor imobiliário despertam comparações com outros mercados, incluindo europeus, onde o comportamento dos preços tem sido distinto.
O que vai acontecer em Portugal?
Em Portugal, por exemplo, os preços das casas têm aumentado ao longo dos últimos meses. No entanto, no passado mês de outubro, a agência Lusa citou o ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que revelou que “no final do próximo ano já vão começar a sentir-se diferenças” nos preços das casas e nas rendas da habitação, o que pode indicar uma inversão do atual cenário para breve.
















